Jornal Telegraph diz que Rebel Heart é um clássico e Madonna está de volta ao jogo

O importante jornal inglês The Telegraph publicou hoje uma ótima crítica para Rebel Heart. Confira a tradução:

Madonna ainda está no jogo
Rebel Heart une letras clássicas e aventuras contemporâneas no álbum menos desesperado da Madonna em anos

“Quem você pensa que é?”, diz uma estridente voz na auto-explicativa faixa Bitch I’m Madonna. Se alguém no pop ganhou o direito de afirmar-se de forma tão rude, ela certamente é Madonna Louise Ciccone, um ícone de primeira grandeza há mais de 30 anos. A vantagem é que a faixa em questão cresce cheia de energia, um hino com palmas com uma fantástica base eletrônica que soa como um kazoo elétrico num antigo fliperama e com um mal-humorado rap da Nicki Minaj. Madonna canta a melodia como uma cantiga pra crianças, com uma letra simples que fala de se comportar mal, porém, usando uma voz doce e angelical.

Poderia até ser uma resposta à BBC, que teria dito que Madonna não era mais relevante. É difícil envelhecer no competitivo mercado pop. O rock oferece diversos modelos para as estrelas mais velhas: um muso dedicado, compositor sério ou um purista nostálgico. O pop demanda uma energia jovial, engajamento eterno em assuntos sobre sexo, namoros e um fascínio com as novidades: novos sons, novos estilos, novos efeitos.

Madonna tem sido uma criadora de tendências por décadas e tem sido desanimador vê-la lutando para manter-se em alta, como uma moderninha mais velha e que abusa de gírias. Seus dois últimos álbuns forçaram a barra, mais sexuados e excessivamente dependente da importação de estilos de produtores da moda. Rebel Heart é muito, muito melhor e a chave para essa mudança parece ser a própria Madonna. Pela primeira vez em anos ela não soa desesperada. De fato, ela parece estar se divertindo.

E é um pouco surpreendente dadas as circunstâncias. Seu 13º álbum tem sido alvo de forma agressiva por hackers e assolado por uma série de vazamentos, com mixagens e demos surgindo por toda a internet, levando Madonna a reclamar, um pouco exagerada, de “estupro artístico.”

O que as canções demos revelaram foram inúmeras colaborações retrabalhadas, incluindo trabalhos de Kanye West, Avicii e Diplo. Há, no entanto, a qualidade de coerência para o álbum finalizado e que realmente centraliza na estrela. O tom muda dramaticamente entre o pop dinâmico contemporâneo com grooves eletro e exuberantes baladas sintéticas, enquanto desvia emocionalmente entre uma vulnerabilidade introspectiva e um desafio estridente. Contudo, cada faixa tem princípios de composições clássicas, um tipo de elegância melódica na estrutura e não importa o quão desconstruído for o arranjo. E Madonna soa relaxada e confiante, cantando com uma doçura e frescor da sua juventude, mas com muito maior realização técnica.

Se podemos esquecer do ridículo folk eletrônico em Devil Pray, no qual Madonna nos informa que drogas são ruins, ela ficou de olho em sua tendência depreciativa de se auto-justificar e de seu discurso religioso. Faixas pop como Iconic e Illuminati refletem uma tendência contemporânea para rápidas, furiosas e divertidas misturas de conflitos de ideias. Body Shop tem uma leveza de chiclete que nos remete a True Blue, os sintetizadores épicos de Wash All Over Me recorda as profundezas do Ray of Light, enquanto o sexo oral em Holy Water consegue ser um sacrilégio ardentemente impertinente. Ela pode estar perseguindo o pop Zeitgeist, algo da época, em vez de defini-lo nos dias de hoje mas, pelo menos, Madonna parece que está no jogo novamente. (Avaliação: quatro estrelas)

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