O relato ao assistir Madonna cantando na rua em Paris

Nosso amigo e correspondente Josh Brandão foi uma das poucas pessoas que conseguiu chegar à tempo de ver Madonna cantando no meio de uma praça pública em Paris, após o show que tinha acabado de fazer na cidade. Ele conta e compartilha como foi essa experiência:

“Na saída do show eu e mais quatro amigos pegamos um táxi para voltar ao hotel. Já em trânsito, um deles recebe uma mensagem dizendo que Madonna estava a caminho da Praça da Rebublica onde se apresentaria. Nossa primeira reação foi de total discrença pois já eram 00:25 e essa é uma praça pública no centro de Paris. Como poderia ter um show da Madonna assim do nada depois de um show?? Logo vimos que Madonna postou o mesmo em seu Instagram. Eufóricos, pedimos ao taxista que nos levasse a tal praça. Esse é o local onde os franceses concentraram vigílias e homenagens às vitimas dos atentados de 13 de Novembro. Em 10 minutos chegamos. Eu imaginava que haveria algum tipo de palco, luzes, grades, fãs histéricos e aquele caos que todo fã da Madonna que já a viu ao menos uma vez sabe como é. Ao invés disso, tudo muito escuro e quieto, e não havia nada montado ou organizado.

Em frente ao momumento principal, um grupo bem pequeno de pessoas formava uma roda ao redor de alguém que cantava ali no meio. Parecia um grupo normal que pararam pra ver algum cantor ou artista de rua. A principio não dava para ver quem era, pois estava usando um capuz de pele bem grande e cantava baixinho, olhando pra baixo, sem microfone ou nenhum aparato. Mas em questão de segundos percebemos que a canção era Ghosttown e imediatamente reconhemos sua voz inconfundível. Ao lado dela, Monte Pittman no violão, um segurança, seu filho David Banda e o resto eram praticamente somente os fãs e qualquer pessoa que passava por ali naquele momento e resolveu parar pra se juntar a roda. Não havia grade ou barreira nenhuma e ninguém empurrava ou gritava seu nome. Somente cantavam junto com ela, meio que hipnotizados pela canção e pela cantora. E essa cantora era a maior popstar da historia, ali na nossa frente, tão real e tão humana.

Ao redor também estava o diretor Nathan Rissman, que filmou tudo e fez algumas perguntas aos fãs. Conversei com ele e revelou que esteve com Madonna ali na praça no dia anterior e ela ali mesmo teve a ideia de voltar e cantar algumas músicas sobre paz e amor para os fãs, sem fazer alarde. Monte Pittman também contou que nem ele nem ninguém faziam ideia sobre isso e que no final do show em Bercy, Madonna o pegou pelo braço e disse: pegue seu violão pois vamos cantar na rua!

Quando me dei conta já estava exatamente na frente dela, a meio metro de distância sem ninguém na minha frente. Cantou Imagine e em seguida Like A Prayer. O tempo todo ela muito confortável e espontânea. Demonstrava uma doçura e ternura muito grande, a maior parte do tempo abraçada com seu filho David que cantava junto todas a músicas. No final, emocionada e com os olhos cheios de lágrimas, disse que já estava na hora de ir, disse algumas palavras sobre o motivo de estar ali, que era tentar trazer Luz a um lugar onde havia escuridão (se referindo aos atentados) e muito gentil agradeceu e se despediu de todos. Nesse momento creio que no máximo umas 50 pessoas estavam ali. Eu, completamente em transe, disse a ela: “Obrigado Madonna, nos vemos amanhã, certo?” (me referindo ao segundo show na cidade). E ela respondeu, olhando diretamente pra mim com um sorriso lindo: “Sim, nos vemos amanhã!”

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