Jean-Michel Basquiat, ex-namorado da Madonna, está com exposição em SP

Chegou em SP a exposição de Jean-Michel Basquiat, um dos grafiteiros e artistas visuais mais famosos do mundo, que iniciou sua trajetória no fim dos anos 70 nas ruas de Nova York e tornou-se um dos nomes mais importantes da década de 80. Basquiat era um dos poucos afro-americanos num mundo artístico predominantemente branco.

Madonna e Basquiat

A cena underground e agitada no início dos anos 80 em Nova York fez juntar esses dois jovens que tornariam-se grandes ídolos anos mais tarde. Basquiat era um iniciante conhecido na arte de rua e Madonna estava começando na carreira ao trabalhar com o seu single Everybody.

Em 1982 eles tiveram um romance de quase um ano. Basquiat namorava na época Suzanne Mallouk e a traiu com a Madonna. Ao descobrir o caso, Suzanne agrediu Madonna numa noite na lendária boate Roxy, em NY. A cena acabou sendo retratada por Basquiat em um de seus quadros em que cita Madonna e a namorada, que a chamava de Vênus.

Em 2017 Madonna foi à exposição de Basquiat em Londres e posou em frente a essa tela. Ela publicou a foto em seu Instagram com a legenda “Apócrifo”, que quer dizer falso, suspeito.

As filhas Estere e Stella também posaram em frente à uma obra de Basquiat, com a legenda: “Meu passado encontra o meu presente JMB <3”, escreveu Madonna.

 

Eles estiveram juntos por quase um ano e terminaram devido ao vício de Basquiat por drogas. Madonna contou alguns fatos sobre o relacionamento em entrevistas ao longo os anos.

“Basquiat foi meu namorado por um tempo e eu lembro de me levantar no meio da noite e ele não estava na cama ao meu lado. Ele acordava no meio da noite pra pintar, às quatro da manhã, ficava em transe numa tela.”

“Ele detestava a ideia de que a arte era apreciada somente por um grupo de elite. Ele costumava dizer que tinha inveja de mim pois a música era mais acessível e alcançava mais pessoas.”

“Ele era um homem surpreendente e profundamente talentoso, eu o amava. Ele não iria parar de usar heroína então tive que sair dessa. Nós sempre achamos que podemos mudar alguém e não podemos. A pessoa que tem que mudar.”

“Quando eu terminei com ele, ele me fez dar as pinturas que me deu de volta e as pintou tudo de preto por cima.”

“Ele era uma das pessoas que eu realmente tinha inveja… mas ele era muito frágil para esse mundo.”

Fotos raras dos dois juntos foram feitas por uma assistente de Basquiat, Stephen Torto, no loft que viviam em Nova York, em 1982, e só reveladas muitos anos depois.

Mais uma obra que tinha a menção da Madonna:

A exposição em SP

Com 80 peças, a exposição faz uma pequena retrospectiva de sua obra. Apesar da curta carreira, entre os 17 e 27 anos, o nova-iorquino teve uma produção intensa, com mai de 1 mil peças. Os trabalhos expostos no Centro Cultural Banco do Brasil, CCBB, apresentam o pintor, desenhista e gravurista desde o início da carreira com os graffiti até o auge do processo, quando alcançou patamar elevado de valor no mercado da arte.

“A obra dele manteve a atualidade, um fascínio, tanto da parte visual, estética, quanto do conteúdo”, ressalta o curador Pieter Tjabbes, ao comentar como os trabalhos ainda mostram forte apelo, especialmente entre os jovens. “Ele tem um trabalho intuitivo. Insere tudo o que está fazendo, pensando, o que está acontecendo ao redor dele entra nas obras, seja em imagens, seja em palavras. Ele é uma esponja”, acrescenta, ao explicar um pouco sobre o método de Basquiat, que costumava deixar o rádio e a televisão ligados ao mesmo tempo enquanto trabalhava no ateliê. “Ele era bombardeado por todas essas informações o tempo inteiro”.

Essa estimulação com elementos de diversas fontes parece ser, na opinião do curador, um dos traços que aproxima o artista das gerações atuais. “Ele está em constante contato com o mundo ao redor. Isso talvez seja parte do apelo que tem hoje, essa nova geração é totalmente antenada, 24 horas por dia conectada em informação”.

A imersão era tão intensa que até o apartamento onde vivia se tornava parte de sua obra. “Ele pinta tudo que está no apartamento: a geladeira, a porta do banheiro”, comenta o curador. Essa porta, assim como outros objetos semelhantes usados como suporte pelo artista – esquadrias de janela e peças de madeira – pode ser vista na mostra. A exposição é, segundo Tjabbes, a maior do artista feita no Brasil.

O talento ímpar e o esforço trouxeram resultados rápidos para o jovem artista. Em 1982, com 21 anos, chegou a participar da Documenta de Kassel, na Alemanha, uma das principais mostras de arte contemporânea do mundo. O renome fez com que o valor de suas obras também subisse rápido, uma das razões, segundo Tjabbes, pelas quais é difícil encontrar os trabalhos de Basquiat em museus e instituições públicas. “Quando os museus começaram a se interessar, os preços já estavam proibitivos. O resultado é que relativamente poucos museus têm obras dele nas coleções”, diz. As obras da exposição do CCBB são de uma coleção particular.

Em maio de 2017, uma de suas telas chegou à casa dos US$ 100 milhões em um leilão da Sotheby’s (uma obra sem título, de 1982, vendida ao bilionário japonês Yusaku Maezawa). Foi a primeira obra feita a partir dos anos 80 a alcançar tal valor e a sexta mais cara leiloada em toda a história – estima-se que o preço de um Basquiat aumentou mais de dez vezes nos últimos 15 anos.

Apesar da rápida ascensão, Basquiat ainda se sentia afetado pelo racismo, e a temática negra era uma presença constante em suas obras. “Ele era um artista negro, afroamericano, dentro de um meio de artes que era quase totalmente branco. Então, a obra sempre permeia esse viés de crítica sobre o sistema. Basquiat ressalta muito negros importantes na música e nos esportes”, lembra o curador.

A música, em especial o hip hop, era outra influência importante em seu trabalho. “A ligação que a obra dele tem com a música falada”, destaca Tjabbes. Mesclar palavras com imagens é também uma característica marcante de várias obras. Assim como a inserção de desenhos por meio de colagens. “O desenho aparece tanto como desenho mesmo, como nos quadros. Ele insere nos quadros, cola, pinta por cima”.

A rápida ascensão fez Basquiat ganhar muito dinheiro, fama e amigos que jamais imaginava ter, como o seu ídolo Andy Warhol – e que tempos depois assinariam uma coleção de obras juntos (algumas delas também expostas em SP).

Viciado em heroína, sua estelar trajetória teve um prematuro fim: aos 27 anos, morreu vítima de overdose, em 1988.

A exposição fica em São Paulo até abril, de onde segue para as unidades do CCBB em Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, encerrando as exibições no Brasil em janeiro de 2019. Paralelamente, há programada mostras de Basquiat, com outras obras, em Frankfurt e Paris.

 

25 de Janeiro a 07 de Abril de 2018
Agendamento gratuito pela Eventim Brasil: http://bit.ly/BasquiatCCBBSP

Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112
Centro – São Paulo/SP
Próximo às estações Sé e São Bento do metrô.
CEP: 01012-000
Informações: (11) 3113-3651

Serviço:
Estacionamento conveniado: Estapar – Rua Santo Amaro, 272.
Serviço gratuito de van entre o estacionamento e o CCBB, das 14h até o horário de encerramento do último evento, com parada no trajeto da volta na Estação República do metrô.