Ouvimos o novo álbum Madame X! Vem saber curiosidades e o que achamos!

Tivemos a oportunidade de ouvir o novo álbum da Madonna, Madame X. O medo do vazamento fez com que a gravadora antecipasse a audição para que a imprensa publique nessa semana as suas avaliações sobre as novas músicas. Aqui são as nossas impressões ao ouvir por uma única vez (semana passada) essas canções tão aguardadas.

Madame X demorou para sair: aos que acompanham as notícias aqui do mundo madônnico sabem que o álbum seria lançado no final de 2018 (isso foi oficialmente divulgado na entrevista da Madonna à Vogue Italia em agosto do ano passado). Desde setembro o álbum estava pronto porém, prestes a lançar, Madonna, equipe e gravadora fizeram diversas mudanças, o que ocasionou nesse atraso de mais de seis meses para seu lançamento.

Inicialmente criado com o produtor Mirwais e Billboard tinha uma forte influência portuguesa em quase todas as faixas. Ao analisar o material, muitas das canções foram retrabalhadas e um novo produtor se juntou ao time: em novembro entra Mike Dean, que trouxe uma sonoridade a mais para o álbum e menos focada só num estilo. Foi com ele a criação de Crave, por exemplo, faixa que não existia antes.

Maluma era um artista que não existia também no álbum e surgiu nos 45 min do segundo tempo: a gravação só aconteceu em fevereiro. O resultado dessa união gerou duas músicas que não existiam: Bitch I’m Loca e Soltera, essa última acabou indo pro álbum do Maluma.

Anitta também não fazia inicialmente parte do álbum. A canção Faz Gostoso, que é uma regravação da cantora Blaya, como já havíamos publicado, foi um sucesso estrondoso em Portugal e Madonna, por morar lá, ouvia muito a canção. Gostou tanto que decidiu regravá-la. Simples assim. A união com Anitta surge na estratégia em homenagear o Brasil, país que ela ama, abraçar mais um país latino na mistura de sons, além de pegar carona na maior cantora pop brasileira que tem feito um enorme sucesso internacional, aceitem ou não. A gravação com ambas foi em dezembro em Nova York, com o produtor Mike Dean.

Com toda essa introdução “de bastidores”, agora vamos sobre o trabalho final!

Os primeiros singles lançados não nos causaram um impacto tão forte: Medellín não parecia ter uma grande força como carro chefe, assim como Crave, que é linda, mas não potente.

Mas Madonna parece mesmo ter guardado o segredo para as faixas que ainda não foram reveladas. Madame X é um experimento sonoro e está apoiado por 3 pilares: as produções requintadas e cheias de camadas do Mirwais, várias colheres de sopa de sons latinos e as pitadas fora de contexto de um som urbano produzidas pelo Mike Dean.

Nas letras, Madonna fala muito do cenário atual no mundo sendo política. Ela mesma revelou em recente entrevista que esse álbum é uma continuação do American Life. Ao mesmo tempo, Madonna fala, como sempre, de amor e também da solidão que foi morar em Lisboa. Chama atenção os efeitos de voz no álbum. Madonna sempre usou isso, desde Material Girl, mas dessa vez tudo elevado a potência máxima: em cada canção surge uma voz retrabalhada, mas tudo ganha mais empatia ao lembrar da sinopse do álbum: Madame X é uma agente secreta, viajando pelo mundo e mudando identidades. São várias “madames” ali cantando?

Por fim e não menos importante: quando é que imaginaríamos Madonna cantando em português num álbum? Eu sempre sonhei com um bloco com influência brasileira em seus shows, pois bloco espanhol já deu faz tempo, né? O som do Brasil já conquistou o mundo faz bons anos e faltava essa homenagem DELA. Demorou, mas chegou: é fofo demais ouvir Madonna falando em português em nada menos que quatro músicas: Faz Gostoso, Extreme Occident, Killers e Crazy (Você acha que eu sou louca? Eu te amo!, diz)

Madame X é talvez o album mais inovador da Madonna. Ele é estranho, tem faixas que não são nada comerciais, mas acaba te conquistando por ter um som novo. É louvável o fato de Madonna estar mostrando o dedo do meio para fórmulas radiofônicas e ter partido para um vôo solitário onde fica impossível comparar a sonoridade do álbum com o que esteja sendo produzido no momento. Aos que sentiam saudade dela trazer novos sons, o seu momento chegou!

Madonna não gosta que falem sobre a sua idade, mas ela ainda não se deu conta de que isso chama atenção de qualquer humano: nenhuma outra artista pop aos 60 anos faz/fez isso o que ela faz. Cria algo novo, se arrisca, não fica simplesmente na fórmula de sucesso que ela sabe qual é, e ainda por cima está lindonna, né?

As músicas:

Medellin: Em uma produção luxuosa e progressiva do Mirwais, dividindo os vocais com Maluma, Madonna canta sobre um mundo idealizado – é uma La Isla Bonita moderna. Infelizmente após ouvirmos as outras faixas não entendemos a razão de ter sido escolhido como o carro-chefe do álbum. Nota 7

Dark Ballet: A inédita Beautiful Game que Madonna apresentou no Met Gala no ano passado foi retrabalhada, ampliada e tornou-se muito mais inovadora. É a sua faixa mais experimental e incrível, numa fusão de Quebra Nozes com eletrônico, solos de piano clássico e voz robotizada num monólogo. Estranhamente incrível. Nota 10

God Control: com uma voz que parece estar com uma mordaça (ou grillz?) inicia-se num coro gregoriano mas se transforma num poderoso hino gay anos 90 ao estilo Pet Shop Boys. É animadíssima, cheia de cordas mas a letra bem séria: fala do controle de armas e tem uma forte pegada política que vai de dance a influências operísticas costuradas por barulhos de tiros. Fantástica. Nota 10

Future: O peão louco da Madame X gira e cai em um reggae que nós ja ouvimos antes. Não por acaso, é uma canção do Diplo e por isso parece prima de Unapologetic Bitch. Será resto do Rebel Heart? É animada e tem um ritmo gostoso mas não é do time das inovadoras. E ainda traz Quavo, que parece só estar ali por uma troca já que Madonna participa na esquecível canção Champagne Rosé do álbum dele. Se sairia melhor como uma faixa bônus. Nota 6

Batuka: desde o ano passado sabíamos que essa era uma faixa completamente diferente: é o som do coral das Batukadeiras com as palavras da Madonna, parecendo até uma música de torcida, vulgarmente falando, mas algo comum em cânticos africanos. É selvagem, avassaladora, cheia de texturas e percussão. Nota 9

Killers Who Are Partying: O momento Paz Mundial chega aqui no melhor estilo Madame X. Madonna canta sobre ser aliada das minorias. Essa faz parte das faixas mais latinas com uma pegada meio flamenco, fado, meio pop eletrônico e com um sotaque pesado canta trechos em português. Linda! Nota 9

Crave: o segundo single do Madame X. Aqui apesar da melodia linda e da primeira vez no álbum que Madonna canta sem o excesso de efeitos na voz, é uma canção mais americanizada que parece não combinar com o restante. Nota 8

Crazy: Pop gostoso em que Madonna mistura inglês com português. Você acha que estou louca? Fofo! E letra com duplo sentido quando me ajoelho não é para rezar. Nota 8

Come Alive: O álbum pega tração de novo e voltamos a subir a energia. É o mesmo estilo selvagem de Batuka mas dessa vez o lado experimental de Madonna vai por um outro lado e com uma pegada de valsa, uma percussão de fundo aliado a cordas e coral. Nota 10

Extreme Occident: mais uma batida de cordas, meio flamenca, dramática e no meio tem uma batida do oriente. Madonna sussurra que não estava perdida e também fala em português. Incrível! Nota 10

Faz Gostoso: Para quem torcia o nariz para essa parceria com Anitta, vai ter que se segurar para não dançar. Cantando em português ‘Fasss Gustoso’, ‘Sou cassada’, Madonna parece estar se divertindo bastante e essa é realmente um afago em nós fãs Brasileiros. A batida é um mix de funk carioca (produzido por um americano né?) com ritmos meio angolanos e pro final embala em muito mais camadas de sons. Vai explodir nas pistas daqui. Nota 9

Bitch I’m Loca: Madonna e Maluma cantam em um diálogo onde ele pergunta a ela ‘onde pode enfiar o negócio’ e ela responde ‘aqui dentro de mim’. É um raggeaton despretensioso bem animado que muitos fãs brasileiros vão fazer cara feia mas é bem boa: Nota 8

I Don’t Search, I Find: É a prima de God Control no departamento “músicas com DNA da Madonna”. Aqui novamente ela nos convida a irmos pra pista. Absurdamente cativante, cheia de cordas e estalos que nos remete a clássicas como Vogue, Deeper And Deeper e aquela voz grave falada tanto usada no álbum Erotica. Nota 10

Looking for Mercy: Mais uma canção cheia de cordas mas aqui sem muitos efeitos na voz. Madonna canta com uma força progressiva de base no final. Bela! Nota 9

I Rise: Uma forma inteligente de fechar uma coleção tão diversa de músicas. I Rise nos faz pensar e a medida que a música começa quase sequenciada, no final se abre e vira um glorioso hino sobre vencer dificuldades e estar acima de qualquer coisa que pode te fazer mal. Nota 9

★★★★☆

 

FESTONNA OFICIAL MADAME X

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FESTONNA MADAME X – 15/06 – RIO DE JANEIRO
FESTONNA MADAME X – 22/06 – SÃO PAULO

 

CLIPPING

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