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Madonna: Armadilhas da Fama.

Por Guilherme Scarpa

Ser a mulher mais famosa do mundo nos dias de hoje, não é uma tarefa fácil. Com o crescimento da violência, dos atentados terroristas e da perseguição incessante dos paparazzis, tudo complica mais um pouco. Estar sob os spotlights por mais de duas décadas sem perder o brilho sequer uma vez, é um status que somente uma verdadeira lucky star munida de genialidade, talento e controvérsia, poderia dar conta do recado: Madonna.

De acordo com alguns dos muitos biógrafos da Rainha do Pop, quando era apenas anônima em Manhattan e estava tentando arrumar um contrato com alguma gravadora, Madonna já demonstrava sua ambição pela fama e pelo reconhecimento, pixando seu nome nos muros da Big Apple.

Talvez naquela época a futura material girl jamais imaginasse o ponto que chegaria hoje. De qualquer maneira, foi totalmente profética ao dizer em uma de suas primeiras entrevistas para a MTV em 1984 que conquistaria o mundo, “-I wanna conquer the world”. Madonna com certeza jamais imaginou também tudo que atrairia para si mesma ao assumir o posto de maior artista feminina de todos os tempos.

Poderíamos dizer que o inferno teria se instalado de vez no dia de seu primeiro casamento, com o ator Sean Penn em agosto de 1985, mais especificamente no dia do seu anivérsário, 16. Tentando evitar ao máximo que qualquer informação vazasse na imprensa, os Poison Penns, não imaginavam a quantidade de helicópteros e fotógrafos que apareceriam no céu de Malibu, Califórnia, para fazer a cobertura de um casório que na época foi classificado como o remake de Apocalypse Now.

A fama muitas vezes pode ser predadora e foi ela quem destruiu o casamento de Madonna e Sean, que se divorciaram em janeiro de 1989. Enquanto Penn procurava fugir de qualquer publicidade, Madonna era assediada por todos os tipos de mídia, e é claro, adorava isso. Essa diferença de pensamentos e estilos de vida, que levou ao fim, um relacionamento marcado por paixão e intensidade.

Além da vida pessoal, que é invadida sempre que possível ou não, há também a manipulação, o patrulhamento artístico. Muitas vezes Madonna se viu refém de si mesma, como por exemplo, na época do lançamento do clipe de Justify My Love em 1990. O vídeo da música composta por Lenny Kravitz, com letras adicionais feitas por Madonna, foi banido da MTV, por conter cenas de lesbianismo e erotismo.

O que poderia ter sido um passo negativo em sua carreira, se tornou graças à sua genialidade, em um dos seus grandes number 1 hits. O clipe que havia sido banido, foi trasformado em vídeo-single, sendo vendido por U$ 9.98 e se transformou num incrível fenômeno de vendas. Justify My Love ficou por duas semanas consecutivas em primeiro lugar na revista Billboard .

São muitas as armadilhas que a fama pode trazer a um artista. Mas quando esse artista tem um domínio de ferro e um equilíbrio artístico vigoroso, é difícil deixar se abater. Quando existe talento, carisma e inteligência de sobra, fica muito mais fácil de se administrar uma carreira.

Os anos se passaram, e com eles diversos episódios fizeram parte da história de Madonna. Já foi criticada, amaldiçoada e idolatrada de várias maneiras, mesmo “mal-Dita”(com trocadilho) muitas vezes, sempre deu a volta por cima, impondo a sua presença desafiadora e sagaz em tudo o que faz e produz. Está há 22 anos na ativa sem parar um só minuto.

A fama tão sonhada e desejada, virou realidade se apresentando como uma legítima faca de dois gumes: Madonna há muitos anos não pode sair na rua sem pelo menos um par de seguranças por perto; está presente em todas as listas possíveis e imaginárias, desde “a mais bem vestida” à “mais influente no século XX”. Suas músicas e sua imagem fazem parte do inconsciente coletivo do planeta Terra. E ela não se arrepende de nada, a natureza humana a fez assim, para o nosso deleite, é claro.


Por Guilherme Scarpa
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