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POR
GUILHERME SCARPA
À medida em que vamos nos esbaldando com o mega-sucesso
de Confessions on a Dance Floor, curtindo
as músicas novas, descobrindo novas sonoridades, experimentando
outra sensações, vamos deixando para trás
o amaldiçoado American Life.
Desde que Confessions foi lançado, as comparações
tem sido simplesmente inevitáveis. Como
não relacionar o disco anterior com o novo disco?
Mas o fato é que me pergunto muitas vezes, qual o problema
do American Life? Será que o simples fato do cd ter
vendido pouco, muito pouco, faz dele um total desastre?
A questão material, comercial, obviamente não
pode ser desprezada, ainda mais em termos de Madonna, Warner
Records, mundo! Mas não podemos deixar de lado, a inovação,
a criação, a re-invenção. Madonna
jamais se repetiu em qualquer trabalho que tenha feito. Ela
não é o tipo de artista que encontra a batida
“perfeita” e faz um extended mix interminável
álbum à álbum.
Se em Music encarnou a cowgirl ou a Muff Daddy e
surfou pelos sintetizadores franceses de Mirwais,
em American Life, o momento era outro:
havia a guerra, estava em jogo a saúde da vida americana,
dúvidas em relação às atitudes
de George Bush, e Madonna jamais se isolou ou deixou de se
importar com o que acontece no mundo, e o que há com
a sua gente. Che Guevara?
Todas essas questões estavam muito vivas para a Madonna
de 2003, aos 44 anos de idade, que não é mais
a mesma de 20 anos atrás. O artista evolui, a cabeça
muda, as experiências de vida, a criatividade ganha
novos rumos e alça outros vôos, e nem sempre
isso tudo é tão comercial e pop como “deveria”
ser.
Precisamos dar um super desconto ao boicote da imprensa americana,
que fez questão de detonar o disco, reclamar do excesso
de mensagens kabbalistícas, e é claro, do famoso
vídeo, que foi recolhido e tirado do ar, sem deixar
o prefixo, pela própria M. São muitos os fatores
que contribuem para o sucesso de qualquer material lançado
por um artista, e se for uma artista como Madonna (é
mais um descontaço que temos que dar).
Tirando todos os contras, agora vamos aos prós: American
Life é um álbum genial, incrível, um
desafio. Uma nova proposta de se ouvir Madonna, de
viajar pelas suas letras, de estar em contato com questões
cotidianas e pessoais. É outra batida, outro tímpano,
um retrato fiel e construtivo de uma artista que ainda tem
muito a oferecer, a desnudar, a provocar e vomitar tudo aquilo
que ainda precisa de ajustes nessa vida louca, vida.
“Now I can see things for what they really are
/I guess I'm not that far/I'm at the point of no return/Just
watch me burn!” Let It Will Be
Por Guilherme Scarpa
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