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GUILHERME SCARPA
Que ressaca, essa de "Confessions on a Dancefloor", hein? Essa fase disco foi sacramentada e encerrada, de alguma forma, com o DVD da "Confessions Tour". O período pós-lançamentos significa um momento de reflexão, revisão e cansaço. E parece que Madonna também funciona desse jeito, embora jamais fique parada. As anteninhas estão sempre atentas. Não é à toa que Justin Timberlake foi agulhado para a função do novo disco. Quem diria que o ex- N'Sync chegaria tão longe, não é mesmo?! Algumas uniões não dão muito certo. Até Sandy e Junior estão em processo de divórcio musical. Mas isso é história para outra colunna.
Voltando...
Outro dia, quando eu estava arrumando o 5º andar da minha estante, onde ficam os CDs e DVDs dela, parei para olhar as capas, e ouvi algumas músicas do "Ray Of Light". Então coloquei "Swim". Uma delícia. É a mesma batida de "Candy Perfume Girl", só que um pouco mais suave. Foi quando a memória, que anda meio prejudicada, voltou a funcionar. Nesse mesmo momento, lembrei de 1998, quando o disco foi lançado. Tinha um sabor de novidade, ainda mais pelo fato do disco anterior ter sido a trilha de "Evita", e o último disco de carreira, o versátil "Bedtime Stories", ter sido lançado em 1994. Embora outros artistas já tivessem ingressado na música eletrônica, como foi o caso do U2 (o disco "POP" virou um sucesso, a turnê mais ainda, e os primeiros ensaios eletrônicos tinham surgido no alternativo "Zooropa", de 93). Alguns chegaram a dizer que ela estava meio atrasada. Bobagem. Foi um dos melhores discos do ano, com Grammys e tudo mais. A mudança foi drástica. E então, chegamos no ponto onde não há espaço para a mesmice: a novidade que sempre rola num disco novo de Madonna. Oh yeah!
O novo álbum, que também conta com a produção de Timbaland, e mais uma vez, de Stuart Price, PODERÁ ser infectado pelo Hip Hop. Isso poderia ser um problema, ou uma angústia para o fãs. Mas não se preocupem. Madonna sempre dá aquele jeitinho de adaptar qualquer sonoridade à sua maneira. Então, se ela já andou passeando pelo rock, como fez na versão original de "I Love New York", brincar de Beyoncé vai ser muito mais fácil.
Um outro fator interessante é quantidade de produtores diferentes envolvidos. Isso remete ao "Bedtime". Ela disse que teria ficado louca durante as gravações, pois precisava encontrar alguma uniformidade nas músicas, moldar algum conceito. E deu certinho. Na época, ela fez a mesma coisa que está fazendo agora: bebeu da fonte de Babyface, que era o produtor da moda, no auge do R&B e de cantoras como Toni Braxton e Whitney Houston. "Take a Bow" ficou durante sete semanas em primeiro lugar na Billboard. Abaixo de "Take a Bow" está "Like a Virgin", super clássica, com um total de seis semanas, sendo que há um intervalo de 10 anos entre essas músicas.
Com o passar dos dias e as novidades, esse próximo disco promete. E aí vem o esquema das performances nos prêmios, uma possível turnê... Enquanto aguardamos, vamos fazendo aquela revisão nos antigos.
Guilherme Scarpa adestá tomando coragem para desenterrar os discos "True Blue" e
"I´m Breathless", mas só se for para ouvir em vinyl. Talvez o compacto de "Material Girl"...
Por Guilherme Scarpa
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