| POR
GUILHERME SCARPA
Cheguei às 11h da manhã na fila do Maracãzinho, no dia 1º de setembro, quando os ingressos da 'Sticky & Sweet Tour' foram colocados à venda. Desde a semana anterior, muito se comentava a respeito do evento que seria a fila. Mesmo com dois pontos de venda no Rio de Janeiro + internet e hell, ops, call center, não seria nada simples adquirir um ingresso, ainda mais se fosse o ingresso VIP a sua escolha. Dobrando a esquina do estádio, havia pelo menos meio quilômetro de gente. Tanta gente diferente. Alguns tinham "matado" o trabalho para estar ali. Outros, tinham chegado no dia anterior. E uma profusão de guarda-chuvas e óculos escuros. Um sol atípico esquentava o asfalto. Sorte dos ambulantes que venderam água como nunca. "Uma água tá custando dois reais! Madonna está me dexando pobre", dizia uma estudante na fila.
Bem à frente dela, um menino, que estava há quase 12 horas na fila, brincava que no show de Kylie (Minogue) seria mais fácil adquirir um ingresso. Mas, não desanimava. "É o ano das divas e das dívidas". Eu mal tinha chegado e estava com sono. Eu nunca tinha visto o celular tocar tanto numa segunda-feira de manhã. Começou a tocar às 7h. Luiz KK, salvador da pátria de muita gente, estava lá desde bem cedo. Depois foi a vez do nosso colunnista, meu amigo Mário La Torre Filho, também em busca de seu ingresso VIP. Mary Fê também ligou. Um caso raríssimo: ela ligou para contar que havia conseguido comprar seu sonhado ingressoVIP pela internet, sem problemas. Pulei da cama. Digitei o site que você bem sabe qual é. Ele sequer carregava. Fiz reload umas 37 vezes e parei. Tinha que correr.
As duas semanas que antecederam a abertura da venda de ingressos foi bombástica. Um show de Madonna no Brasil, depois de 15 anos, é um sonho em processo de realização para muitos. Notícias! Todas, espalhadas em sites, revistas, jornais... Um poder inabalável acima de tudo. Talvez Madonna seja a última grande artista da história da música que tem capacidade de provocar uma excitação e uma euforia dignas de um Beatle. E não é só pelo fato de Madonna ter fãs incondicionais. Sua simples - como se pudesse ser - presença é suficiente para criar um verdadeiro caos. Muitos querem ir "porque é um show da Madonna" e isso lhes basta. Outros, mal a conhecem. "Todos os meus amigos vêm. Eu só venho por isso. Eles querem ver essa velha", desdenhava, equivocadamente, uma criatura da fila.
E o meu ingresso? Que ansiedade! Veio a notícia que a Pista VIP tinha esgotado. Um certo desânimo pairou no ar. Desistência? NENHUMA. "Eu vou de qualquer forma, em qualquer lugar. Eu quero é ir!". Isso foi unanimidade. Nem mesmo os últimos da fila, que sabiam que a espera seria mais longa que a de muita gente. Agora estava perto, pertíssimo. Eu continuava rondando o lugar. Além de comprar o meu ingresso, eu estava a trabalho na fila. Se não fossem os amigos, nem sei. Era engraçado observar o imenso banner esticado na grade, acima da fila, com o nome de Madonna. E a confusão rolando. Cambistas em ação, jovens na fila dos idosos, idosos a serviço de cambistas, gente querendo furar a fila. Às 16h20, eu coloquei a mão no ingresso. À essa altura, já resignado com a idéia de não ficar no setor VIP. Muitos estavam. Tão fãs ou não.
Um segunda chance surgiu quando foi anunciada mais uma data para o Rio. Você não vai querer ir de novo? Dessa vez são três pontos de venda, mas não tem internet. O call center tem mais atendentes, mas, de que adianta? O sistema fica constantemente fora do ar. Eu liguei às 5h20 da manhã e fui atendido. Peguei o cartão de crédito e passei a ouvir: "um momento" ou "só mais um momento", alternadamente durante 25 min. Que saco! Não consegui. Mas eles já tinham ganhado uns bons minutos em ligações... Desisti. Tem algum ingresso aí sobrando? A novela continua... Revisão da discografia de Madonna tornou-se uma prática freqüente. O set list do show, evidentemente, já viu um cd que toca dia e noite, quase sem parar. Ela está na Veja desta semana. Em mais revistas, é pauta sobre pauta. Não se respirava Madonna assim desde 1993.
Guilherme Scarpa, começou a escrever esta colunna às 4h da manhã, de sábado para domingo, com ranso do inferno astral ainda. Mas, acredite: vem aí bom tempo.
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Por Guilherme Scarpa
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