Chat 'America Online' - 2000

Jesse Kornbluth: Este é um momento histórico. O primeiro chat online de Madonna! Seja bem-vinda, Madonna.
Madonna: Oi!

Jesse Kornbluth: Seu novo álbum, "Music", sai amanhã. Para os seus fãs é como véspera de Natal. O que você está sentindo?
Madonna: Natal... :) É emocionante... vai ser ótimo ver as reações depois de viver com ele durante quase um ano.

Jesse Kornbluth: Você teve muitos lançamentos épicos. Este é muito excitante?
Madonna: Sim, eu sinto friozinho na barriga o tempo todo. Nunca me aborreço.

Jesse Kornbluth: Os críticos e os fãs acharam que "Ray of Light" foi
inovador. Isso representa pressão para você?
Madonna: Não. Isso me inspira.

Jesse Kornbluth: Então é como um esporte. Bater um recorde, chegar mais alto.
Madonna: Sim, exatamente... eu continuo colocando a barra sempre mais alto.

Jesse Kornbluth: Qual foi sua intenção artística dessa vez?
Madonna: Hmmm... Responder à frieza, o distanciamento da vida na era das máquinas, no mundo da alta tecnologia, com calor, compaixão e senso de humor. Mas não ficar muito nauseante em relação a isso. :)

Jesse Kornbluth: Em sua entrevista para a Rolling Stone, você pinta um
retrato bastante duro do cenário musical, e também fala de si mesma como uma espécie de espírito "revolucionário". Se sua revolução desse certo, como a
música -- ou nossas vidas -- mudariam?
Madonna: Bem, não acho que eu sozinha poderia ser responsável por uma revolução. Eu sou um dos dentes da engrenagem.

Jesse Kornbluth: Mas que mudanças você gostaria de ver?
Madonna: Eu gostaria que as pessoas assumissem mais riscos e fossem menos preocupadas em ser famosas. A música deveria ser um reflexo do que acontece na sociedade, e na minha opinião nós temos sido muito desleixados.

Jesse Kornbluth: E sua música... uma boa parte dela... faz a gente se
levantar e dançar.
Madonna: Ou pensar, eu espero. Dançar ou pensar. :)

Jesse Kornbluth: Temos algumas perguntas enviadas por crianças.
Madonna: Ótimo.

Jesse Kornbluth: Aqui está uma. Como é ser cantora e mãe?
Madonna: É como ser puxada por todas as células, nervos, fibras e todos os cabelos... é revigorante e exaustivo.

Jesse Kornbluth: Vamos pegar uma pergunta de um assinante sobre "Music".
Pergunta: Qual foi a canção mais difícil de compor?
Madonna: A canção mais difícil de compor... foi "Impressive Instant".

Jesse Kornbluth: Por quê?
Madonna: Porque eu não queria seguir a estrutura normal de uma música, e tenho a tendência a ser muito simétrica quando estou compondo. Eu queria que fossem sempre diferentes. Não queria que cada verso tivesse o mesmo cumprimento ou que o refrão parecesse igual. O que eu fiz foi improvisar enquanto cantava.

Jesse Kornbluth: Outra pergunta de assinante: Você considera seu novo álbum uma recriação de suas músicas antigas, ou é tudo novo para você?
Madonna: As duas coisas. É novo, mas é o que eu sou, a soma total do que eu sou. Eu incluí elementos do meu passado. Espero que as pessoas interpretem dessa maneira.

Jesse Kornbluth: Britney Spears diz: "Quando fico deprimida, penso em
Madonna". Quando você fica deprimida -- se é que fica -- em quem você pensa?
Madonna: Em meus filhos.

Jesse Kornbluth: Você fica deprimida?
Madonna: É claro.

Jesse Kornbluth: Por quanto tempo?
Madonna: Nunca dura muito. Eu diria que são crises rápidas de uma depressão ridícula e inexplicável.

Jesse Kornbluth: Hoje a revista New Yorker diz que se você estivesse numa
ilha com Richard Hatch, do "Survivor" [um programa como "No Limite" da rede Globo], não demoraria muito para que o cadáver dele flutuasse na praia. É verdade -- você tem uma carreira longa e gloriosa. Parece que sobrevive a tudo. Mas aposto que para você isso não parece tão fácil.
Madonna: Bem, eu apenas vivo a minha vida.

Jesse Kornbluth: Às vezes você fica nostálgica?
Madonna: Ah, com certeza. Tenho saudade de uma época da minha vida quando eu não era um império, quando eu era apenas uma garota que vivia em Nova York, escrevendo músicas e colecionando pulseiras no braço.

Jesse Kornbluth: E hoje você é uma prisioneira permanente do seu império?
Madonna: Não, eu não diria que sou uma prisioneira. Mas eu diria que é uma luta diária ter as responsabilidades que tenho e manter a espontaneidade e o
humor que eu tenho.

Pergunta: Como você se sente quando as pessoas dizem que você é um bom modelo para as garotas? Você considera isso muita responsabilidade, ou vê como um elogio e uma honra?
Madonna: Eu acho que é um elogio e uma honra.

Jesse Kornbluth: Você escuta suas próprias músicas?
Madonna: Sim, eu escuto sem parar enquanto estou trabalhando nelas, depois tenho que me afastar até conseguir escutá-las de novo.

Jesse Kornbluth: Em algum ponto você consegue ver objetivamente seu trabalho?
Madonna: Geralmente isso acontece pelo menos um ano depois do lançamento. Então já passei para outra coisa.

Pergunta: Você pretende fazer mais filmes no futuro próximo?

Madonna: Sim, se encontrar um bom roteiro. Eu adoraria. Mas quero ser tão revolucionária nos meus filmes quanto sou na música -- e isso é muito difícil. A maioria dos roteiros é muito ruim.

Pergunta: Qual é o preço da ambição e da determinação, e existe algo como
excesso dessas coisas?

Madonna: Bem, eu acho que você precisa dar um passo atrás o tempo todo e pensar por que está fazendo o que está fazendo. Se você só estiver interessado em ser poderoso ou rico, então sim, o preço é muito grande. Você
precisa ter um motivo para fazer o que faz e saber por que está dizendo o que diz.

Jesse Kornbluth: Mas os motivos não mudam com o tempo?
Madonna: Sim, eles mudam.

Jesse Kornbluth: E você está consciente dos motivos de hoje?
Madonna: Sim, isso é o mais importante -- estar sempre consciente de seus motivos e ver se eles estão mudando.

Jesse Kornbluth: Uma pergunta da América Latina: Você canta maravilhosamente em espanhol. Tem planos para cantar em espanhol de novo?
Madonna: Com certeza. Provavelmente vou fazer uma versão em espanhol do meu terceiro single.

Jesse Kornbluth: Podemos falar sobre Madonna e a globalização?
Madonna: Tudo bem.

Jesse Kornbluth: O fato de morar em outro país mudou sua música?
Madonna: Até certo ponto, mas eu sempre escutei mais música européia que música americana. E sempre fui influenciada pela música inglesa, especialmente nos últimos cinco anos.

Jesse Kornbluth: Outra pergunta da América do Sul; esta é da Argentina...
Madonna: Ótimo!

Jesse Kornbluth: Se um dos seus filhos quisesse ser cantor...
Madonna: Se eu deixaria? Por que não? Se for isso que eles quiserem ser, por que não?

Jesse Kornbluth: Você e sua filha cantam juntas?
Madonna: Com certeza! Nós cantamos as músicas da Britney Spears.

Jesse Kornbluth: O que você está escutando atualmente?
Madonna: Eu escuto muita música ambiente, que meu namorado detesta, porque ele diz que parece que o disco está emperrado. Você já ouviu falar em Gavin Bryars? Ou no CD de música clássica de William Orbit?

Jesse Kornbluth: Você às vezes escuta "world music" -- como Nusrat Fateh Ali Khan?
Madonna: Sim, eu escuto quando estou praticando ioga.

Pergunta: Existe alguma coisa ou um lugar especial que a inspira? O que você faz para se reenergizar criativamente, mentalmente, espiritualmente?
Madonna: Eu gosto de me colocar em situações em que não faço outra coisa além de ler livros, ver filmes, visitar museus e jantar com pessoas interessantes.

Jesse Kornbluth: E por quanto tempo você consegue fazer isso até se sentir
"plena" e pronta para criar?
Madonna: Bem, seria um grande luxo poder fazer isso durante dois meses. Acho que foi o que fiz enquanto esperava meu filho nascer. E agora estou plena!

Pergunta: Existe alguma coisa na vida que você sempre quis e ainda não tem?
Madonna: Mais tempo livre. Mais tempo livre, dormir mais.

Jesse Kornbluth: Uma coisa que está me intrigando: e esse chapéu de caubói?
Madonna: O que você quer dizer? O que é que tem o chapéu de caubói?

Jesse Kornbluth: Quero dizer, não tem música country nesse CD...
Madonna: Tem sim! O que você escutou? O chapéu de caubói representa um tipo verdadeiro de iconografia -- está ligado à natureza, aos animais e a tudo o que é americano, e eu acho que é uma jogada irônica quando você considera a quantidade de sintetizador que tem no álbum.

Jesse Kornbluth: Iconografia... OK. Na moda, estamos vendo a volta dos anos 70, jeans bordados...
Madonna: Isso é anos 70?

Jesse Kornbluth: Você estaria nessa?
Madonna: Legal, então estou bem de acordo com a época, mesmo sem saber.
Aliás, essa é a melhor maneira.

Jesse Kornbluth: Você dá importância às coisas mais recentes?
Madonna: De uma maneira periférica. Por exemplo, não li os últimos números de W ou Vogue.

Jesse Kornbluth: Você falou na Rolling Stone sobre escrever e-mail. Por
acaso você usa a AOL?
Madonna: Sim, eu uso a AOL! He-he!

Jesse Kornbluth: Você lê as coisas que fazemos sobre você?
Madonna: Heee...

Jesse Kornbluth: Tudo bem. Mais uma... quantos e-mails você escreve por dia?
Madonna: Ah, meu deus, pelo menos 50.

Jesse Kornbluth: Pode nos contar seu endereço de e-mail?
Madonna: Você quer jogar uma bomba na nossa casa?

Jesse Kornbluth: É incrível, mas nosso tempo acabou. Vou para casa.
Madonna: Eu vou comer batata frita.

Jesse Kornbluth: Nós ficamos muito contentes e surpresos de você ter
aparecido aqui.
Madonna: Obrigada por me convidarem!

Jesse Kornbluth: Disponha.
Madonna: LOL.