Madonna e Stuart Price falam sobre 'Confessions' ao jornal 'The Observer:'.


Com “Hung Up” em número 1 e seu novo álbum também arrebentando no topo das paradas, Madonna retomou sua incontestável coroa de Rainha do Pop. Simon Garfield conversa com ela sobre sua fé, sua família e sua inconstante imagem. E ela explica porque ao 47 anos retornou as suas raízes disco.

”Comprou 3 aparelhos?” Madonna pergunta assim que tirei meu gravador. “Não, por que?”, respondi “Caso não funcionem.” ela completou.
De fato, há equipamentos de gravação por toda parte. Madonna está sentada num banquinho no minúsculo lar-estúdio de Stuart Price em West Kilburn, Londres, seus pés descansando pertos de cabos, suas mãos no alcance dos teclados, guitarras e microfones que fizéram seu novo álbum.

Ela também consegue tocar em Stuart Price, o produtor inglês que transformou apartamento alguns anos atrás com o dinheiro que ganhou de um contrato publicitário. Ele diz que as paredes são tão finas que o novo álbum de Madonna pode acidentalmente conter o som do choro de um(a) vizinho(a).

Price tem 28 anos, 19 mais novo que Madonna. Eles começaram a trabalhar juntos quatro anos atrás, quando Madonna estava procurando por um tecladista para uma turnê mundial e ouviu falar do trabalho de remixagem que Price conduziu atestado pelos nomes Jacques Lu Cont and Les Rythmes DigitalesLes. Naquela época ele se tornou seu diretor musical, reajustando faixas de estúdio para performances ao vivo, e escreveram uma música juntos, ‘X-Static Process', que apareceu em seu último álbum.

”Escrever é uma coisa muito íntima,” disse Madonna, “especialmente quando escreve as letras e as canta na frente de alguém pela primeira vez. É igual a uma situação realmente embaraçosa. Para mim, cantar é quase como chorar, e você tem que conhecer bem as pessoas antes de poder começar a chorar na frente delas.” Ela olha para o seu colaborador. “Antes eu apenas não sentia que te conhecia bem o bastante. Eu não era 100 por cento confiante nas suas habilidades de compor, se você me permite ser honesta.”

Stuart: E você estava certa.
Madonna: Eu gostava deste lugar, mas eu não achava que você estava pronto. O montante que você cresceu daquele disco para este é enorme. Mas eu só pretendia escrever algumas músicas com você. Eu pretendia fazer a parte principal com Mirwais (Ahmadzai, o produtor dos seus dois últimos álbuns Music e American Life), e então acabou indo para outra direção, porque a primeira música ‘pegou’ tão monstruosamente.

.Hung Up

M: E aquela música me fez decidir qua rumo tomar quanto a direção musical. Até então eu tinha feito uma trilha sonora completa para um musical chamado Hello Suckers, e que não saiu da ‘panela’ porque eu decidi que eu não queria fazê-lo. Então eu decidi escrever um musical com Luc Besson, com ele fazendo o roteiro. Então eu comecei um novo ‘calhamaço’ de músicas, e então li o script e odiei, “É uma porcaria, vamos descartar isso.” E então eu estava exausta. Nós terminamos a turnê, e minha gravadora estava meio “Você nos deve um álbum”, e eu “Eu não tenho mais nenhuma idéia, eu estou ‘tapada’”. Então vim até aqui para um trabalho experimental, e porque aquela música ficou tão maravilhosa, eu disso, “Ok, é isso aí, vou fazer tudo dance-music.”

Ela está usando um conjunto preto com listras, botas pretas pontudas de couro. Seu cabelo liso e divido ao meio, mas no dia seguinte será feito para se parecer com a Farrah Fawcett para o video do ‘Hung Up’. As pessoas me perguntaram depois se eu gostei dela, eu realmente gostei dela. Ela estava bem humorada e gargalhou bastante. Algumas vezes fazia exercícios de alongamento com as mãos, que ela disse ser uma tentativa para voltar à forma após o seu recente acidente de cavalo.

M: O tempo todo em que eu estava gravando o álbum eu também estava editando um documentário que eu acabei de terminar, e isso foi muito dolorido... Se chama ‘I´m Going to Tell You a Secret’ e não é um documentário convencional. É cinemático, é como um diário. Eu estava voando para Stockholm uma semana sim, outra não para trabalhar na edição, então voltar para cá foi muito difícil, pegar 350 horas de filme e transformá-los em apenas duas. Estava tão abatida por causa disso.

Stuart Price: Então trabalhar num álbum veio a ser um repouso.

M: Foi o antídoto para o stress daquele filme. Foi tipo, “Eu quero dançar, quero me sentir livre, leve, feliz, em paz”, e então eu vou chegar neste pequeno quarto branco com muitos cabos e vou fazer isso.

The Observer: O novo álbum parece moderno, mas tem muito do seu início de carreira nos clubes de Nova Iorque que foi usado nele. Aquela pista de dança batendo em você quando você tinha… quantos anos?
M: Meu Deus, 20, 21. Sim, meu impulso inicial era fazer música em primeiro lugar. Costumava ir a este clube em Nova Iorque, Danceteria, e vivia levando meus demos para o DJ, então a música pra mim começa com o DJ pegando meu primeiro disco, ‘Everybody’, achando que é bom o bastante para tocar para todos dançarem com ele. Quando me mudei para Nova Iorque eu queria ser uma dançarina, eu dancei profissionalmente durante anos, vivendo na miséria. Eu nunca aproveitava a vida noturna, tudo que eu conhecia era dançarinos, íamos para cama cedo e levantávamos cedo e íamos aos concertos gratuitos no Lincoln Center e Shakespeate no Park. Então conheci uma cara, como qualquer outro, e ele me levou para um nightclub e eu fiquei ‘Uaw’. Chamava Pete´s Place. Em um cômodo estava John Lurie e the Lounge Lizards e todos esses caras que pareciam estrelas de cinema dos anos 40, e todas as garotas pareciam estrelas de cinema dos anos 50 e tinham as perfeitas pinturas nos olhos, e eu estava vestindo minhas roupa de dança, tinha levado um livro, caso ficasse entediada. Era um livro do F Scott Fitzgerald. Eu pensei, “nunca se sabe”... E aquela foi a minha introdução para o dance music. Eu pensei, “Oh meu Deus, existem outros lugares como este? Eu não sabia que você podia entrar num clube e sair dançando sozinha. Eu pensava que alguém tinha que te pedir.

The Observer: Que garota inocente que você era.
SP: Difícil de acreditar.
M: Você pode simplesmente dançar por seis horas e ninguém irá de incomodar e você não tem que beber. Eu tive uma incrível sensação de libertação, e me senti mais feliz. Aquela sensação de liberdade e independência. Estava acostumada a dançar, mas só quando alguém me mandava dançar. Então no nightclub eu ia para todos os lados, combinava tudo. Street dance, dança moderna, um pouco de jazz e ballet, eu era Twyla Tharp, era Alvin Ailey, eu era Michael Jackson. Eu não me importava, eu era livre. Não havia nada de divertido ou glamuroso sobre a minha vida e eu precisava de alguma agitação. E acredite, haviam muitas pessoas mais despojadas do que eu. Eles vestiam preto e não se movimentavam muito, e eu estava dando pra todo mundo “as picadas de retardado.”

O álbum se chama Confessions on a Dance Floor, as faixas foram sequenciadas para tocar como se fosse uma música contínua. A idéia era criar um disco que lembrasse uma partitura de um musical, com temas recorrentes, combinados com o sensação de uma hora num nightclub. A imagem predominante de marketing no trabalho ilustrativo e propaganda do álbum é um globo brilhante de discoteca dos anos 70 e uma pop star ávida pelo visual de malhação de Jane Fonda. Ela canta sobre as coisas de praxe, que inevitavelmente significa cantar sobre a saga de ser Madonna: sua busca por compreensão, por uma verdade mais profunda além das armadilhas da fama, por uma iluminação espiritual na escuridão. Não há muitas ‘confissões’, mas sobra auto-afirmação. O disco é o mais próximo do que Madonna tem como conceito de álbum, e o conceito de simplicidade.

M: Eu tentei fazer algumas coisas com Mirwais mas não ‘pegou’. Eu ficava sempre querendo voltar correndo pro estúdio de Stuart.

SP: O módulo de escape.
M: Sim. Você encontra alguém, mas você já está saindo com outra pessoa, então você diz “oi” e você tem este encontro fantástico com eles, e quando você volta para esta outra pessoa com quem você está, tudo que pode fazer é pensar naquela outra nova pessoa. Eu não conseguia parar de pensar de como era divertido trabalhar com Stuart. Só levou um minuto pra decidir que namorado eu queria ter. Você já conheceu Mirwais? Jean-Paul Sartre passa pela cabeça. Ele é muito intelectual, muito analítico, muito cérebro, muito existencial, muito filosófico. Você tem que estar afim disso. Eu não queria pensar e repensar as coisas demais. Eu não quero ser complicada agora.

The Observer: Você sente que isso aconteceu com American Life?
M: Sim. Isto não aconteceu quando trabalhamos juntos pela primeira vez, em Music, mas em American Life nós dois entramos num tipo de...
SP: Redemoinho.

M: Nós dois fomos sugados pelo redemoinho existencialista francês. Nós dois decidimos que éramos contra a guerra, e ambos fumávamos Gauloises e usávamos boinas, éramos contra tudo. Não, é sobre o universo conspirando. Com o último álbum eu estava muito pensativa, estava muito brava, afim de ser política, muita aborrecida com George Bush.

The Observer: Mas agora você está mais feliz?
M: É que simplesmente eu já fiz isso. Não preciso continuar falando da guerra no Iraque. Já fiz muitas declarações políticas no meu show e no meu filme. Não quero ser repetitiva, então mudei para uma outra área que é “Deus, eu realmente estou com vontade de dançar agora.” Fui muito intensa. Não é só uma reação para com o que eu estava fazendo em termos de trabalho, mas também uma reação para com o que estava acontecendo no mundo. Só queria um pouco de alívio.

The Observer: Foda-se a Arte, Vamos Dançar?
M: O que?

The Observer: ???????????????????????????????
M: Foda-se tudo, vamos dançar.

The Observer: Parece ter muitas referências dos seus discos antigos nele.
M: Verdade? Por favor nos diga quais. Nós ouvimos uma monte de discos de outras pessoas quando estávamos fazendo este – obviamente Abba e Giorgio Moroder – então pra mim é mais um homenagem aos discos dos outros do os meus. Se há referencia dos discos antigos antigos provavelmente foi feito inconscienteme, parte de nossas estruturas moleculares, aparecem e reaparecem, só espero que não seja tão entediante e repetitivo. Eu não poderia ter feito este disco em outro lugar senão bem aqui. Onde você grava é muito importante. Não pode ser sutil demais, não pode ser caro demais, não pode ter uma vista para um oceano ou um campo. Preferiria estar numa prisão com os Pro Tools Eu não quero saber o que está acontecendo no resto do mundo. Eu quero que seja exatamente como foi quando eu escrevi a minha primeira canção. Num espaço pequeno com quase nenhuma ornamentação, quero que seja sempre direto. Eu não posso lidar com a pressão de quantos as coisas custam. Senão eu penso, “Oh Deus, tenho que colocar 12 número um nas paradas para justificar o quanto o espaço custa.”

The Observer: Se eu ouvisse isso de qualquer outra pessoa eu poderia até acreditar.
M: O que eu posso dizer? É como eu penso. Eu adorei deitar naquele sofá com meu caderno escrevendo e então rastejando para fazer os corais. Cada vocal que fiz aqui nós também tentamos em outros lugares e não funcionou. As outras pessoas que contribuíram com este disco, nos encontrávamos num lugar maior, sem caráter em Primrose Hill, e eu estava perdendo totalmente a vibração necessária, então eu pegava o que tinha feito lá dizendo “muito obrigada” e voltava correndo pra cá dizendo, “Stuart, você tem que me ajudar arrumar isto. Me ajuda.” Todas as músicas são biográficas num menor ou maior grau de extensão. ‘How High’ está obviamente questionando a importância da fama o quanto isso importa? E o que realmente importa?

The Observer: Estas são questões que você deveria ter se perguntado há 20 anos. Você chegou a alguma conclusão?

M: Com certeza, apesar do meu ponto de vista e filosofia continuar a mudar e crescer. Conforme os anos passam você passa por essa evolução. Você pensa, “Oh, meu Deus, ter uma música no rádio e ser o número um é a coisa mais importante no mundo”, e então isso acontece por algum tempo e então jogam merda em você e você pensa, “Não posso lidar com isso”, e você entra num processo de introspecção e então você atravessa para o outro lado. Você percebe que ter o disco número um e ser amada e adorada não é a coisa mais importante no mundo. Mas ao mesmo tempo, eu não tenho problema com isso. O que eu estou tentando dizer é, eu não sou uma pop star relutante. Sou muito agradecida e feliz por tudo que eu tenho e pelas coisas quando elas vão bem. Por outro lado, eu já tive o bastante do outro lado da coisa, para saber que se não der certo, eu vou sobreviver e que a vida continua. No final da história quando eu estiver parada nos portões dourados, eu tenho a certeza de que Deus não dá a mínima para quantos discos eu vendi o quantas paradas número um eu tive. Tudo que importa para Ele é de como eu me comportei, como eu tratei as pessoas. Então compreendendo isso, eu ainda dou o melhor de mim fazendo discos, esta é a conclusão que cheguei. Agora eu penso sobre isso mais do que costumáva pensar.

The Observer: As coisas ainda te machucam? Você teve…
M: Qualquer coisa e todas as coisas escritas sobre mim. Honestamente, eu não leio jornais, revistas, sei lá o que. Não fazem parte do meu vocabulário. Eu não quero ser manipulada, ou manipulada pelo trabalho dos outros. Eu não quero que me digam como devo pensar ou como devo receber as coisas, e até quando você sabe que a imprensa escreve um monte de merda sobre as pessoas, você ainda está manchado e influenciado por isso. Estou tentando remover isso da minha vida. Também não quero ver minhas fotos com notas sarcásticas abaixo delas. Mesmo que você me malhe só por 30 segundos, eu não quero isso. Antes de dar qualquer entrevista eu quero saber quem eu vou encontrar e ter uma idéia de suas sensibilidades, então consequentemente eu li muitas críticas da minha última turnê, e todas elas eram realmente negativas. Eram, “Oh, não é muito bom, nada muito excitante, nada tão bom quanto Blond Ambition”, o qual eu tenho certeza eles esfolaram. Agora eu não dou a mínima, mas graças à Deus não li nenhuma quando estava em turnê.

The Observer: Elvis Costelo disse que a pior coisa seria ler algo escrito por um crítico influente e deixar isso afetar naquilo que você faz. Então se eles não gostam de um certo rumo que você está tomando, você pensa, “Bem, talvez eu não deveria estar fazendo isso.” E então você percebe: por que cargas d´água este cara está decidindo o ruma da minha carreira?
M: Exatamente. Você tem esta luta interna com você mesma o tempo todo, este pêndolo que balança entre você se importar (com que a pessoas dizem) e não se importar. Não é importante, mas por outro lado a mídia é uma coisa que afeta muitas pessoas, então você está constantemente tentando encontrar um equilíbrio entre respeitar algo e não se importar com isso. Vamos falar sobre economia: eu sei que há muita competição no mundo das revistas e jornais e que tem que se fazer muitas manchetes e ser sensacionais e vender, e dizer coisas ruins sobre mim vai vender mais do que escrever coisas boas sobre mim.

The Observer: Mais isto ainda tem um efeito em você?
M: Costumava causar um grande efeito, mas estou tão acostumava com as pessoas me esfolando. Desde o começo da minha carreira dizem que eu não tenho nenhum talento, que não sei cantar e que sou uma maravilha de um sucesso só. Isso há 22 anos atrás.
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The Observer: Você realmente pareceu surpreender as pessoas com a sua performance no Live 8.
M: Muita pessoas me ligaram. Eu fiquei meio que surpresa. Quero dizer, não era a primeira vez que eu tinha feito um show.

SP: Foi a única vez que a área dos bastidores esvaziou para assistir alguém.

A porta do estúdio se abre. Angela Becker, sua assistente particualr, trouxe uns drinks do Starbucks.

M: Isto é um Chai Latte. (chá indiano) Estou de folga do café agora por que estou na homeopatia. Pelos meus oito ossos quebrados.

The Observer: Todos curados agora?
M: Nem todos. Tenho uma costela que não ‘colou’ o trinco, como eles dizem no misterioso mundo da ortopedia. Mas todos os outros – tem um tecido de célula fibrosa que juntou eles, mas a minha clavícula ainda é um probleminha. Não consigo levantar meu braço pra cima da cabeça ainda, mas estou fazendo muitos exercícios de reabilitação. Muitos. Não consigo levar aqui pra cima... mas ainda consigo te estapear.

The Observer: É como a piada do Tommy Cooper. Você sabe, excêntrico humor inglês.
M: Eu gosto de excêntrico humor inglês.

The Observer: Conhece Tommy Cooper?
M: O comediante.

The Observer: Sim, morreu no palco e todo mundo pensou que era parte da peça. Fazia mágicas terríveis. E ele costumava contar esta grande piada; um homem vai ao médico e erguendo o braço diz, “dói quando faço isso”, o médico responde, “Bem, então não faça isso.”
M: Hum. Estranho…

The Observer: Então, onde estávamos?

The Observer: Falando ‘abobrinhas’.

The Observer: Aquela música no novo álbum, ‘I Love New York’.
SP: Foi escrita durante a turnê numa checagem de som.

M: Após uma excelente escolta policial. A música é irônica! Eu amo Londres. Por favor abracem a minha ironia.

The Observer: Você ‘faz pouco caso’ de Londres, Los Angeles e Paris. (“se você não gosta da minha atitude, então vá se f... / Vá pra Texas, não é lá que eles jogam golfe? / New York não é pra gatinhas que dão gritinhos)
M: Cômico demais, eu moro em todos esses lugares. Bem, eu não moro em Paris, de passagem. Mas vamos encarar isso, com Nova Ioque, é como colocar o dedo numa meia. Quando eu ando na rua em qualquer lugar as pessoas dizem, “Oh, lá está a Madonna”, mas em Nova Iorque os policiais dizem, “Hey, você voltou”. É como se eu tivésse voltado pra casa.

The Observer: O que acontece quando você anda por aqui?
M: Aqui? Eu não ando por aqui! Eu moro em Marble Arch, e todo mundo é Saudita, todo mundo usa um véu e ninguém presta atenção em mim. Se as pessoas me notam em Londres eles não fazem um ‘estardalhaço’ por isso.

SP: Ah, pode crer que ele te notam.

M: Em Nova Iorque eles gritam, “Eu não gosto da cor do cabelo!”. Aqui, eles fazem o julgamento e guardam para eles mesmos.

‘I´m Going to Tell You a Secret’ será exibido no Channel 4 em dezembro e então estará disponível em DVD. Mistura a rotina dos bastidores da última turnê com meditações da busca espiritual por um bom modo de levar a vida. Termina com a viagem de Madonna para Israel no ano passado para aprender mais sobre a Cabala, e a cena final é uma criança israelense e uma criança palestina caminhando juntos numa estrada. É um filme político e revelador, e proporciona um discernimento menos ardiloso do seu mundo do que o filme da sua última turnê há mais de uma década ‘Truth or Dare’ (Na Cama com Madonna).

É particularmente revelador quanto as cenas que Madonna escolheu para não serem cortadas, nem mesmo as sequências com seus filhos e marido Guy Ritchie. Numa cena, Madonna e seus filhos estão experimentando uma cama na sua suíte no hotel George V em Paris: “Quem é a Rainha, Rocco?”, ela pergunta ao seu filho de 5 anos. “Você, você, VOCÊ!” responde Rocco. Numa outra, Lourdes, que tem 8 anos, ensina a mãe como dizer “Deixa eu te contar um segredo” em francês; Lourdes diz à câmera que não vê a hora da turnê acabar para ver mais a sua mãe. Numa limosine depois de um show, Madonna está aborrecida com o marido por ter assistido poucas das suas apresentações e não acredita em suas explicações. “Eu me casei por todas as razões erradas. Meu marido acabou não sendo a pessoa que eu imaginava que ele fosse... Não existe esse negócio de perfeita alma gêmea. Sua alma gêmea é a pessoa que ‘te cutuca de todos os lados’, te deixa ‘possessa’ no dia a dia e faz você encarar a sua merda. Não é fácil ter um bom casamento, mas eu não quero ‘o fácil’.

Stuart Price, que no filme tanto quanto Ritchie, aparece no início contando uma piada para Madonna, que ela adorou: “O que há de tão bom em transar com as de 28 anos?”. Resposta: “Há 20 delas.” Mais adiante, Madonna pergunta, “Qual a diferença entre um terrorista e uma Pop Star?... Você pode negociar com um terrorista.”

SP: Espero que as pessoas assistam o filme, e percebam que M é na verdade uma das pessoas mais amáveis e atraentes que você poderia querer conhecer, e não a lunática que a maioria das pessoas pensam que ela é.

The Observer: Interessante é que você não está desacelerando.
M: Credo, não. Isto é provavelmente sinal de uma pessoa muito doente. Parte disso é um verdadeiro desejo de crescer e uma busca, e em parte é apenas o bom e antiquado comportamento compulsivo obcessivo. Todo mundo que me conhece acha que sou um pouco Nazista.

The Observer: E você está ansiosa para assegurar que seus filhos não estão te desacelerando. Você sabe que Sylvia Plath ou Cyril Connoly ou Cyril Kwles disseram sobre o carrinho de bebê no hall ser o inimigo da criatividade e promessa?
M: Tem uma coisa que eu digo no filme quando estou com todos os músicos e dançarinos e é o último show e estou me despedindo, estou de olhos fechados e começo a chorar. Onde eu choro é quando eu digo que sinto a puxão entre a minha família e a minha vida artística , e a luta para manter tudo em equilíbrio, e eu sei onde a Sylvia Plath quer chegar com isso, até um certo ponto, apesar de eu não ser tão depressiva quanto ela. Eu era obcecada pos ela quando estava no colégio. ‘The Bell Jar’ é a minha bíblia.

The Observer: E se você não tivésse filhos...
M: Meu trabalho provavelmente não seria tão bom. Ter filhos me fez ir a fundo numa série de introspecção e auto-exame. Eu acho que isso instruiu e espero que tenha enriquecido minha criatividade.

The Observer: O que eles acham da sua música?
M: Meu filho gosta de uma ou outra música. Ele está mesmo é pra Usher e gosta de R&B. Ele dá a ‘bombada’ no quarto de brincar. Ele até que é um bom dançarino. Minha filha é minha fã mas não quer ser tão óbvia quanto a isso porque eu sou sua mãe e isso não é legal. Então ela ama Beyonce e qual é aquele grupo de meninos que todas as garotas ingleses são obcecadas?

SP e The Observer: Backstreet Boys? McFly? Blue? Westlife?

M: Não, se liga. Isso é patético.

The Observer:
E quanto ao seu marido? Ele não me parece ser a Rainha do Disco.
M: Não, ele não é. Na verdade, ele saiu em disparada do quarto quando eu toquei algumas dessas faixas. Ele pensaou ‘que porcaria’.

The Observer: Do que ele gosta?
M: Ele gosta de música popular irlandesa, ok? Eu não sei os nomes disso, não é algo que você ouve na rádio. Ele gosta de canções com histórias, música de pub.

The Observer: O que você ouve agora?
M: Eu gosto de trilhas sonoras de filmes. Eu ouço incessantemente ‘Talk to Her, 2046, Frida e The Hours’. Eu gosto mais das trilhas sonoras do que dos filmes.

The Observer: Você viu a exposição de Frida Kahlo no Tate Modern?
M: Sim. Duas das minhas pinturas estavam lá. Estou esperando elas voltarem.

The Observer: Mas eles não escrevem em baixo ‘Propriedade da Madonna’, como algumas das pinturas de Edward Hopper tinham ‘Propriedade de Steve Martin’?
M: Talvez devessem escrever ‘Propriedade de uma Pop Star”. Acho que só escrevem ‘Coleção Particular’. Eu fui mesmo na exibição – meio que deprimente.

The Observer: Presumivelmente haverá uma turnê no ano que vem?
M: Provavelmente a “Turnê das Confissões” ou “Turnê Confesse Seus Pecados.”

SP: Numa apresentação ao vivo você percebe em 30 segundos se algo está funcionando ou não. Num estúdio isso pode desaparecer nesta intelectual, er...

M: Masturbação.

SP: Masturbação, isso. Você pode achar que está fazendo algo realmente significativo mas numa arena ao vivo isto não se transforma. E ntão quando estávamos trabalhando num negócio aqui eu tocava umas faixas quando eu estava mixando e ninguém saberia o que era. E você podia ver como as coisa eram na verdade trabalhando pela reação.

M: Isto é algo que fizémos neste disco que eu não tinha tido o luxo de fazer antes. Porque Stuart faz mixagem no mundo inteiro e nós testamos isso – versões dub sen vocais, então eles não sabiam se era eu ou havia só um traço da minha voz no fundo. Eu até fiz ele filmar as coisas pra mim no telefone dele para que eu pudésse ver a reação do público.

SP: É como Sodoma e Gamorra. Se a reação não fosse instantânea nós voltaríamos e mudaríamos as faixas.
M: Se eu pudésse fazer tudo daquele jeito anonimamente.

The Observer:: O que você quer que o novo álbum conquiste?
M: Eu só quero que as pessoas escutem ele e digam “Ai me Deus”. Quero que ele levante as pessoas e ponha-as para dançar pela casa toda, passeando de carro até o disco terminar. É tudo muito simples. Eu só quero fazer as pessoas felizes.

Umas semanas depois da nossa conversa, com seus ossos curados, ela surgiu debaixo de um globo espelhado para cantar ‘Hung Up’ na EMAs em Lisboa. A dança a deixou um pouco sem fôlego, mas dava pra ver claramente que estava se divertindo. Mais tarde no show ela deu a Bob Geldof um prêmio pelo seu trabalho humanitário, e no seu discurso de apresentação ela foi tão genuína quanto essas coisas poderiam ser; Geldof havia encontrado uma maneira de fazer a diferença além da música, algo que Madonna desejou para si mesma.

Mas sob as atuais circunstâncias, havia um álbum a ser promovido, e quando EMAs acabou ela virou sua atenção para o show íntimo em Mornington Crescent, norte de Londres. Koko, anteriormente conhecido como Camden Palace, foi o local da primeira aparição de Madonna na capital em 1983, e no seu retorno na terça-feira à noite ela se apresentou como se ainda houvesse algo para ser provado. “É tão bom estar de volta”, ela disse não muito antes de começar a chacolhar a cabeça.

Foi um grande showzinho. Suas roupas cor de malva, o globo espelhado rodopiava, Stuart Price e os outros músicos pareciam uma banda cover dos anos 70 em seus ternos brancos. Ela começou cantando ‘Hung Up’, o número 1 do seu novo álbum, e depois três outras músicas do álbum, que a esta altura da semana já estava vendendo mais do que o seu mais próximo competidor em 3 por 1. Ela introduziu ‘I Love New York’ com uma explicação de que foi lá onde ela aprendeu a sobreviver. Finalmente, Madonna disse, ‘é tudo uma questão de sobrevivência”.


A Rainha do Pop: antes e agora

1990
- Aos 32 anos Madonna estava no auge da sua popularida e poder. -
- Sua Turnê Blond Ambition, destacando trajes feitos por Jean-Paul Gaultier (incluíndo o famoso bustiê de cone dourado), viajou o mundo. Durante a apresentação de ‘Like a Virgin’, ela levou uma cama para o palco, se esfregando num interessante ato de simulação da masturbação.

Estrelou também, no filme Dick Tracy, ao lado do seu novo amor, lenda do cinema Warren Beatty. Naquele ano, houve rumores de que Beatty a tivésse pedido em casamento, mas o relacionamento deles acabou logo.

Em novembro, ela lançou seu pacote dos melhores hits, ‘The Immaculate Collection’, que continha oito músicas das paradas de sucesso. O álbum também continha uma nova música, ‘Justify My Love’. A MTV sentenciou o vídeo como ofensivo - religiosa e sexualmente – e foi banido prontamente.

Em 1991, o documentário exibindo a Turnê Blond Ambition foi lançado como Truth or Dare (com o título de Na Cama Com Madonna no Reino Unido). O filme incluiu cenas dela fazendo sexo oral com uma garrafa de vinho.


2005

Sua performance no Live8 foi considerado um dos destaques do show em Hyde Park. Ela apareceu no palco com Birhan Woldu, 24, uma vítima da fome na Etiópia que inspirou o Live Aid original.

Ela está casada há quase cinco anos com o diretor de cinema britânico Guy Ritcie. Eles têm um filho de 5 anos, Rocco, e Madonna uma filha, Lourdes de 9, do seu relaciomento anterior com Carlos Leon.

Este mês, ela lançou seu 11º álbum, ‘ Confessions On a Dancefloor’. Produzido por Stuart Price, que contém o single que está no topo das paradas ‘Hung Up’, um sinal do seu retorno às raízes do disco-music dos anos 80.

Madonna agora mora principalmente na Bretanha, com uma casa em Londres e uma casa de campo em Dorset. Ela é uma ávida cavalgadora e usuária das jaquetas Barbour.

No próximo mês, seu mais recente documentário, ‘I´m Going To Tell You a Secret’, será exibido no Reino Unido. O filme percorre sua turnê Re-Invetion de 2004 e inclui muita discussão sobre sua fé na Cabala.

‘Confessions On a Dancefloor’ (Warner Bros) já está disponível. ‘I´m Going To Tell You a Secret’ estará no ar no Channel 4 no dia 1 de Dezembro.