O diretor de arte Giovanni Bianco, resposáveis por diversos trabalhos de Madonna - como o livro X-StaTic Pro=CeSS, Re-Invention Tour e o álbum Confessions on a Dance floor - foi entrevistado pela Revista Quem e falou um pouco sobre seu trabalho com Madonna. Confira:

Criador de Imagens

No quesito direção de arte, o brasileiro Giovanni Bianco, 39anos, é referência mundial. Nascido no Rio de Janeiro, filho de imigrantes italiano, trabalhou como feirante ao lado do pai antes de ir trabalhar com moda em Milão. O talento logo se destacou e Giovanni começou a cuidar da concepção visual das campanhas da Forum, Arezzo, Dolce & Gabanna, D-Squared e MaxMara. Atuou em alguns cd's de Marina Lima e Marisa Monte, e acabou caindo nas graças de Madonna. Giobanni fala com exclusividade a revista em Quem, e conta como é seu relacionamento com Madonna, confira!

Q: O que você achou do último Cd da Madonna, COADF?
GB: Respondo essas perguntas com grandes dificuldades, pois estou escutando o Cd agora mesmo(risos)... Adoro!! Tenho mesmo que estar feliz pois além de tudo tive a sorte de paticipar de mais um progeto vitorioso da colega.

Q: Você recentemente esteve presente na festa de lançamento do novo DVD da Madonna em Nova Iorque. Vocês dois ja trabalharam juntos diversas vezes, como você define seu relacionamento com ela?
GB: Totalmente profissional! Apesar de termos passado por vários momentos que pra qualquer um seria uma intimidade. Aprendo todos os dias que isso (nossa amizade) é só um sonho. Real mesmo é o trabalho, profissionalmente nosso relacionamento é maravilhoso.

Q: Na sua opinião a imagem de dona de casa que a cantora exibe na mídia pode atrapalhar a divulgação do Cd ou é totalmente irrelevante?
GB: Totalmente irrelevante! Quando você escuta o CD pela primeira vez, não consegue mais largá-lo. A Madonna têm essa coisa especial que faz você se sentir feliz!!!

Q: O que você faz nas horas vagas?
GB: Odeio ler, mas todos os dias faço a terapia que minha amiga Ana Luiza Graça Couto me ensinou. Leio pelo menos cinco páginas de um livro antes de dormir. Mas adoro música. Adoro escutar as "M" da minha vida: Marisa Monte, Maria Bethânia e, claro, Madonna.

O furacão Madonna parou de chacoalhar a vida do brasileiro Giovanni Bianco só na semana passada. Foi no momento em que a cantora saiu de dentro de uma imensa bola de espelhinhos no palco de Los Angeles, domingo passado, que Bianco considerou encerrados os dois anos de controlada loucura, vividos entre Nova York e Los Angeles, dedicados quase integralmente à direção de arte de "Confessions on a dance floor". A bola de espelhinhos, o "disco ball" de todas as boates dos anos 70, tem o mesmo design da letra O do Madonna escrito na capa do disco, nos singles, na camiseta, no álbum da turnê e nos cartazes de publicidade, toda uma linha visual criada por Giovanni nesses anos de intenso trabalho com a rainha pop.

"Imaginem uma mulher caída num salão de dança"

A cantora, uma assumida workaholic, controla pessoalmente todos os detalhes da enorme produção mobilizada em torno do seu trabalho e, quando começou a pensar na capa do CD, chamou o diretor de arte brasileiro e o fotógrafo Steve Klein para uma conversa no estúdio de gravação em Los Angeles. Numa longa reunião de trabalho, informou os dois sobre o conceito do seu novo álbum. "Imaginem uma mulher caída num salão de dança, pesquisem no dicionário os significados da palavra confissão, pensem nos anos 70, no clima da época, na música", sugeriu a cantora. Bianco prestou atenção em cada palavra da estrela, mas foi na cultura pop brasileira que achou inspiração para criar a nova marca Madonna que rodará o mundo nos próximos dois anos em concertos para promover o novo CD.

Ela falou muito do Abba, das referências do mundo dela nessa época. Mas o que me ajudou muito foi a estética de "Dancing days", a coisa do disco, do néon da novela. E também o trabalho visual de Hans Donner, uma marca muito forte dos anos 70 diz

Depois que ele conta, é fácil identificar a homenagem ao programador visual da TV Globo na capa do "Confessions on a dance floor" e, ainda mais marcante, no livreto "Madonna confessions" que acompanha a edição limitada do CD. Dá para reconhecer no logotipo Madonna as letras características de Hans Donner, redescobertas por Bianco. Quando foi fazer um trabalho para a novela "Belíssima", conheceu Donner e ganhou o livro dele de presente. Tão perfeccionista quanto a artista pop, o diretor de arte apresentou 12 propostas diferentes para Madonna, mobilizou todo o seu estúdio para cumprir os prazos. A cantora mexeu várias vezes no projeto, preocupada com detalhes mínimos, o que deu uma trabalheira infernal.

Tratei a Madonna como empresa, fiz um brand bacana para ela. Tudo relacionado com o que ela está vendendo: o rosa, o néon, a bolinha de espelhos diz Bianco.

Fã desde adolescente da cantora, ele teve de passar por um aprendizado para trabalhar com ela. "É como se você tivesse de lidar com a maior cadeia de supermercado do mundo", compara. Uma das chatices é que a sua história como diretor de arte requisitado e respeitado em Nova York, Milão, Los Angeles ficou meio eclipsada pelo star system girando em torno de Madonna. Pelo contrato assinado, Bianco pode ser preso se revelar algum detalhe da vida privada ou profissional da cantora sem autorização. Em compensação, ela se reserva todos os direitos sobre o trabalho produzido por ele, pode até pôr uma câmera dentro do seu escritório e filmar tudo. No momento de assinar o contrato, ele passou horas lendo as numerosas cláusulas, mas, feitas as contas, as exigências chatas não acabaram com o prazer de trabalhar com a superstar.

Ela não é um sucesso porque deu sorte. Rala, rala, é uma mulher genial. A gente aprende a ver, escutar e esquecer diz.

Giovanni Bianco comemorou seus 40 anos trabalhando com a estrela, um momento que considerou simbólico do quanto a sua vida tinha mudado desde a época em que a cantora representava para ele um mundo de sonhos, completamente distanciado de sua realidade de filho de imigrante italiano, que na infância ajudava o pai a vender frutas na feira do Rio.

Para uma pessoa com universo limitado como o meu, ela mostrava que era possível viver uma vida mais moderna diz.

O mito permaneceu na sua cabeça, apesar de ele já há muito tempo ter se transformado em um cidadão do mundo, com um escritório em Nova York e clientes pesos pesados do mundo da moda, como Dolce & Gabbana, Missoni, Dsquared e, no Brasil, a Arezzo. Uma única vez, não resistiu à tietagem, esqueceu a reserva que se auto-impôs e pediu um autógrafo na camiseta que ele mesmo desenhou. "Love", escreveu Madonna, e autografou a peça que agora está na parede do charmosíssimo apartamento dúplex em que mora no East Village, em Manhattan.

Ela é uma pessoa super-normal, a casa dela é de uma pessoa de verdade diz.

Primeiro contato com a estrela foi há três anos

Já se passaram três anos desde a primeira vez que entrou no planeta Madonna. Estreou assinando a diagramação da revista "W" para as fotos da estrela fazendo ioga, num ensaio famoso do fotógrafo Steve Klein. A segunda vez foi a programação visual de "Sxtatic process", o livro de fotos de Steve Klein com Madonna, no qual Bianco usou um papel parecendo guardanapo e criou um objeto estranho. Logo depois, foi chamado para fazer toda a imagem gráfica do "Reinvention tour" e, enquanto estava trabalhando nisso, encontrou-se com a estrela.

Ela me chamou pelo nome, disse que adorou o livro relembra.

A partir daí, o furacão Madonna entrou na sua vida e agitou os seus últimos dois anos.