faixa a faixa por Madonna!


Quase todo mundo já opinou sobre "Hard Candy". Você mostrou o disco novo da Madonna para seus amigos, parentes, colegas de trabalho e todos foram unânimes em falar sobre o álbum, darem opiniões e dizer o que acham e o que não acham.

Agora, você já imaginou o que Madonna acha e o que ela tem a dizer sobre o disco que está sendo lançado hoje?

Tivemos acesso a uma entrevista exclusiva concedida ao jornalista Steve Hochman no dia 27 de Fevereiro onde Madonna conversa por 1 hora e meia e fala sobre o álbum com uma riqueza de detalhes impressionante. A entrevista permanece inédita e é usada pela Warner que fornece o material para a imprensa como clipping de "Hard Candy".

A seguir, com exclusividade, o que Madonna tem a falar sobre cada faixa de "Hard Candy"


Foi a primeira música que escrevi com Pharrell. Quando terminamos não conseguíamos decidir se a chamaríamos de "Candy Store" ou "Candy Shop". A música passou meses sendo chamada de Candy Store e agora chama-se Candy Shop. Que diferença, não é? Candy Shop é uma das minhas músicas favoritas nesse disco pois foi o ponto de partida e representa o estado de espírito que eu estava enquanto trabalhava no disco. Essa música ilustra o que vem a seguir e assim como o restante do álbum é contraditória, insolente e estou o tempo todo testando a idéia de fazer um jogo com as palavras com duplo sentido ao mesmo tempo em que podemos a qualquer momento dançar e nos divertir. Eu escolhi essa faixa para abrir o disco pois ela ilustra a variedade de músicas em "Hard Candy", afinal quando você vai a uma loja de doces, você encontra uma imensa variedade com cores e sabores e essa era a idéia principal por trás desse trabalho, e espero que as pessoas possam ter essa mesma sensação ao ouvir o restante do disco.


Essa juntamente com "Candy Shop" funciona com uma espécie de eixo no qual o resto do álbum gira, principalmente por causa do sentido de urgência. E existe um sentimento de seriedade justaposto a um clima de diversão e leveza, o que pontua o restante do disco. Sobre a letra, se você estiver prestando atenção no que está acontecendo no mundo na questão do Oriente Médio, o que está acontecendo com a eleição americana, o que está acontecendo com o meio ambiente. Existe tanto caos e desordem em todo o lugar. E todos os sinais apontam para uma única saída. É melhor acordar e prestar atenção ao mundo ao seu redor, mas o que você vai fazer? Você será parte do problema ou parte da solução?

Eu também acho que as pessoas ainda precisam ser encorajadas e precisamos nos divertir nesse processo. Não podemos ser paralisados com toda essa informação negativa. Você precisa receber um tipo de esperança também. Então acho que "4 Minutes", de certa forma, veio dessa idéia. Você pode salvar o mundo com uma música. Você pode fazer com que as pessoas acordem e a resposta pode ser sim e não. As trombetas e buzinas foram idéias de Timbaland e dão a idéia de uma banda marchando. Eu e Justin escrevemos as letras aos poucos. Timbaland tocou a batida pra gente e nós fizemos meio que em partes. Ele nos deu um pouco da música. Nós começamos a escrever os versos. Nós chegamos com uma melodia, então ele começou a compor mais e a música assim como as outras foi composta gradualmente.


Give It To Me é um tipo de hino fundamental. Eu acho que será uma canção incrível para se tocar ao vivo. Essa é uma música do tipo que me faz imaginar todo mundo pulando e cantando junto. A mensagem é do tipo faça agora você mesmo. Entende o que eu quero dizer? Me dê tudo o que você tem, não tente me deter. Essa foi uma música incrível para escrever e trabalhar.


É uma das músicas onde quis dar uma incrível melodia pop e estrutura de música pop. Só queríamos compor melodias cativantes e acho que Pharrell é um gênio em fazer música que tem um tipo de apelo popular. "Heartbeat" pode ser considerada R&B, pode ser considerada pop. Esta é a música que você pode ouvir no rádio ou quando sai para dançar. Então nós apenas, como eu disse, queríamos fazer músicas que não saíssem da sua cabeça das pessoas.


É sobre um relacionamento a distância. Mas pensei também nas pessoas do meio artístico quando estávamos escrevendo essa música. Quando terminei todos nós, os caras no estúdio falaram que se identificaram totalmente com essa música. Se você trabalha e, se viajar é uma parte expressiva do seu trabalho, você está sempre longe da pessoa que ama e acaba tendo diversos relacionamentos à distância. E é um desafio. Então acho que muitas pessoas podem se identificar com essa música. Essa foi a primeira composição escrita por mim e Justin.Eu toquei violão acústico mas você não vai poder ouvir direito pois os beat de Timbaland encobrem minha parte.


É uma das mais retrô. Nós estávamos escutando discos de Debbie Harry quando a fizemos. Então acho que She's Not Me é um tipo de música que, em algum lugar, Debbie Harry encontra Gloria Gaynor, meio I Will Survive. Pharrell veio com essa idéia de She's Not Me, She Doesn't Have My Name. Acredite se quiser nós inventamos toda essa história em torno dessa mulher que rouba o namorado da amiga. Eu gosto da parte onde a música muda de ritmo, acho muito psicodélica. Uma curiosidade a Wendy, do Revolution, toca guitarra nessa faixa. Então, onde dizemos, Wendy, você fica imaginando o por quê de dizermos aquele nome no meio da música. Wendy é muito boa guitarrista, por sorte nossa, ela estava gravando seu álbum ali ao lado, quando estávamos fazendo a música. Como aconteceu com Kanye West em "Beat Goes On" fomos pescando as pessoas nos estúdios vizinhos.


É inacreditável. Esta começou como uma música e se transformou em outra. Então, é do tipo She's Not Me, do tipo que leva você a uma viagem musical. Começa em um lugar e termina em outro que é, obviamente, onde minha cabeça está neste momento. Estou em todos os lugares musicalmente. Tem muita angústia nela e muito desejo, a idéia de desejo, de querer algo que costumava ser perfeito antes no sentido de recriar um sentimento de felicidade e de realização que você teve no passado. Eu quis também falar de abandono de diversão. Acho que a maior parte das minhas músicas são paradoxais ou um tipo de justaposição de idéias e emoções.


É a nossa homenagem a Marvin Gaye. Tem o rap do Kanye. Estávamos canalizando muitos artistas diferentes do passado enquanto compunhamos. Sobre o rap do Kanye, eu não conseguia entender como esses caras trabalham. Uma coisa que surpreendeu em Pharrell, Justin, Kanye, é que sou muito detalhista e escrevo tudo de um jeito muito estruturado e metódico e ordenado. E nenhum deles escreve nada. Nenhum deles sabe o que vai fazer quando entra no estúdio. Então o que acontece é que como eles não escrevem nada muita coisa boa se perde e você tem que ir repassando pedaço por pedaço por pedaço até eles lembrarem tudo do início ao fim, a idéia toda.

Então você acaba gravando muita coisa e escolhe o melhor do melhor. Esse rap foi gravado em 4 horas e demorou cerca de 8 horas para ficar pronto. Foi engraçado dirigir Kanye e o rap porque eu não faço rap e tinha que ficar no pé dele repetindo os versos "diga isso, diga aquilo". Eu não trabalho em discos de rap. E então, Pharrell ficou rindo de mim o tempo todo porque eu fiquei pressionando Kanye: "Não isso não! Repita aquilo". E ele dizia, "Repetir o quê?" E então eu tentava repetir as rimas e cantava o rap que ele tinha feito e foi bem divertido. Demos muita risada com minha entrada no mundo do rap. Foi um aprendizado para mim. A letra complementa "Give It 2 Me", não fique ai no canto reclamendo da vida, levante e faça alguma coisa.


É inspirada no tipo de música do final do 70, início dos anos 80, é um estilo de soul Philly, ou o tipo de som que estava tocando nas casas noturnas quando cheguei em Nova York pela primeira vez no início dos anos 80. Sobre as letras não existe nada além da história de um cara que conhece uma menina em uma casa noturna e eles gostam um do outro. Não vai muito além disso, juro. Não tem essa profundidade.


Me diverti muito fazendo essa aqui. Spanish Lesson nasceu com Pharrell tocando para mim todas aquelas músicas de Baltimore, Maryland. Tem esse som chegando de Baltimore. Ele ficou dizendo que ela precisava de mais batida. E eu dizia, o que é isso? Então ele ficou tocando para mim todos esses discos e essa dança que todo fez para ela, chamada The Percolator. Então ficamos assistindo todos aqueles clipes no YouTube de pessoas dançando. Então eu disse, ok, vamos tentar isso. E eu trouxe meu guitarrista, Monty Pitman para tocar música flamenca e usei todo o espanhól que sei. Perguntei pro Pharrell se ele falava a língua e ele disse que sim, então resolvemos investir. Quando Spanish Lesson ficou pronta, depois de ouvi-la, pensei, "isso é muito estranho". E eu realmente não gostava dessa música por muito muito tempo e cheguei a descartá-la do corte final do disco. Quando estávamos remixando o disco eu resolvi dar outra chance e me encantei por ela novamente, principalmente por ser diferente do restante do material.


Foi uma das primeiras faixas a serem trabalhadas durante a gravação do disco, juntamente com "Voices". Eu quis usar mais camadas sonoras aqui para soar mais emocional. Eu escolhi "Devil" para o final do disco pois pensei em uma jornada no disco e vai subindo, subindo, subindo, subindo e então termina mais relaxante, tipo chill out. Devil Wouldn't Recognize You é uma canção essencialmente sobre uma pessoa que, todo mundo tem uma na vida, alguém que consegue tudo o que quer e sai impune. Sabe, você é tão esperto que nem o diabo te reconheceria. Então começamos a cantarolar um para o outro e colocando idéia e frases no papel. E foi assim que aconteceu e então no dia seguinte fizemos outra música, "Voices" que se complementa a essa aqui.


Essa foi outra que surgiu enquanto estávamos falando sobre pessoas que conhecemos que, novamente, poderiam fazer você pensar uma coisa sobre elas, mas, na verdade, essas pessoas são completamente diferentes do que você imagina. São pessoas que fazem jogos psicológicos com você. E acabam acreditando na própria mentira que contam e não se dão conta de que na verdade, você sabe de tudo. Esse é tema. Você está passeando com o cachorro ou o cachorro está passeando com você? É do tipo quem está no controle aqui? Entende o que eu digo? Eu acho que as duas últimas músicas são boas porque elas realmente o fazem pensar e tem algo bem orquestral e fértil nelas. Nós meio que começamos pegando leve com Candy Shop e terminamos de um jeito bem reflexivo com Voices, e acho que essa é uma boa viagem para se fazer.