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Madonna concedeu uma entrevista exclusiva a revista alemã SPIEGEL quando esteve em Berlim para o lançamento de seu filme "Filth and Wisdom".

O papo foi bem interessante e falou sobre sua visão como diretora, como sobreviver nesse mundo das celebridades e paparazzis, a comemoração de seus 50 anos e muito mais. Confira:

SPIEGEL: Madonna, a respeito de sua carreira musical, você está no topo: Acabou de ganhar um Grammy, em março será admitida no Rock and Roll Hall of Fame e nesta primavera seu tão esperado álbum será lançado. Já na indústria de filmes, você não tem tido tanto sucesso. As críticas sobre você como atriz têm sido devastadoras e apenas algumas pessoas quiseram ver os filmes que você participou. Agora você vem a Berlim para apresentar sua estréia na direção com "Filth and Wisdom". Você é masoquista?

Madonna: Não esqueça, desta vez eu não sou a atriz. Estou sentada aqui como diretora e isto é realmente um novo capítulo para mim. Na verdade me sinto mais confortável com esse papel do que com o outro.

SPIEGEL: Por que?

Madonna: Diretores dizem estórias e isso se parece comigo. Como uma atriz eu sou apenas parte de uma estória externa a mim e eu basicamente não me sentia bem com isso o tempo todo. Como diretora eu consigo colocar minha visão na estória.

SPIEGEL: Porque basicamente você quer ser a chefe e estar no comando das coisas?

Madonna: Não, não é bem isso. Claro, tem a ver com controle. Por outro lado eu não estou totalmente no controle das coisas como diretora porque o resultado vem de todo o time e da cooperação. Eu escrevi o roteiro com alguém e lidei com o câmera man, atores e técnicos. Eu adoro quando as coisas dão certo.

SPIEGEL: Mas só quando você tem a última palavra, certo?

Madonna: Claro, sou eu quem, a certo momento diz: Certo, é dessa maneira que faremos! É porque estamos trabalhando sob a minha visão. Mas eu não poderia realizar tudo sozinha.

SPIEGEL: Seu marido, diretor Guy Ritchie, a apoiou?

Madonna: Ele me deu bons conselhos. Ele disse: Você tem que ter certeza para onde você quer conduzir as coisas. Se você fica nervosa e se o caminho é muito óbvio para as pessoas, você vai estragar tudo.

SPIEGEL: As pessoas não acham que você não tem auto confiança. Ou o ego da Madonna é mais frágil do que poderíamos pensar? Quando foi a última vez que você ficou nervosa?

Madonna: É isso que me faz um boa atriz, certo? Acredite, eu fico nervosa frequentemente quando as coisas são novas para mim e eu quero causar uma boa impressão. Você não imagina o quão nervosa eu fiquei quando a gravação do filme começou. Eu fiquei preocupada que todos esses profissionais que tinham trabalhado com diretores famosos não me levariam a sério.

SPIEGEL: E deu tudo certo?

Madonna: O primeiro dia de gravação foi bem difícil. Claro que um câmera man experiente não espera que eu o diga onde posicionar o equipamento. Eu realmente tive que me ocupar em ser levada a sério.

SPIEGEL: Da sua experiência nos estúdios musicais você deve ter se acostumado a ouvir outras pessoas te dizerem o que fazer?

Madonna: Sim, é mais ou menos a mesma coisa. Mas eu não sou uma ditadora. Eu realmente gosto de ouvir o conselho do câmera man quando ele propõe um ângulo diferente e do mesmo jeito eu levo a sério quando Justin Timberlake me diz no estúdio que a música poderia ter um som diferente.

SPIEGEL: Como você lida com críticas? Não é arriscado dizer a você, a estrela, que uma de suas idéias pode não ser tão boa?

Madonna: Isso depende de cada caso. Se alguém tem uma idéia melhor do que a minha, eu não tenho problema em aceitar. Mas, por exemplo, quando dirijo uma cena e estou convencida da minha visão e como quero que as coisas saiam, então será assim.

SPIEGEL: Na estória que você dirigiu, jovens estão batalhando para realizar seus sonhos de carreira. Isto parece que foi muito influenciado pela sua carreira pessoal.

Madonna: Sim, eu queria escrever um roteiro que tivesse uma forte relação com minha vida pessoa. Se você quer contar uma boa estória então você deve falar primeiro sobre coisas que você realmente conhece. No meu caso, trinta anos atrás, vim de Michigan para Nova Iorque. Quando criança eu fiz aula de dança e sonhava com uma carreira de bailarina e chegando a Nova Iorque me deparei com a verdade crua da cidade. Mais uma na multidão de dançarinos, com as mesmas visões e pobreza. Todos nós estávamos famintos e precisávamos de um emprego.

SPIEGEL: No seu filme uma aspirante a bailarina percebe que tem que vender seu corpo. Isso também serviu para você, enquanto jovem?

Madonna: Isso é um pouco de exagero ao falar da minha sabedoria. É uma alteração da máxima "eu alcançarei, custe o que custar". Mas por outro lado, é verdade.

SPIEGEL: O que é mais difícil, se tornar famosa ou permanecer assim?

Madonna: Oh, é muito mais difícil permanecer no topo. É fácil entrar no clube mas difícil sobreviver nele.

SPIEGEL: Hoje em dia, é mais difícil ser famoso num mundo completamente digital, com internet e celulares com câmera, do que nos anos 80 quando você começou sua carreira?

Madonna: Isso é um mito. Sempre foi exaustivo ser famoso. Muitos artistas, no mundo do cinema e da música, sofreram das suas famas, Marilyn Monroe por exemplo. É brutal se você é constantemente analisada, revisada e julgada. Quando você anda na rua com seus filhos e é noticiado a respeito e cinco pessoas apontam suas câmeras de celulares para você, é surreal. E eu não somente digo isso comigo, pode ser a Princesa Diana ou a Britney Spears.

SPIEGEL: Então qual é sua receita para sobreviver nesse mundo?

Madonna: Não existe segredo. A questão é, existem pessoas com técnicas de sobrevivência que as permitem sobreviver tempos difíceis. Não é todo mundo que é feito para a vida pública. E acredite, é difícil não permitir que todas essas bobagens que as pessoas espalham cheguem até você. Às vezes me sinto como um animal sendo perseguido. Ajuda se você tem boa auto-confiança antes de se tornar famoso. E não ajuda estar cercado de pessoas que o tratam como semi-Deus e não percebem a diferença entre ilusão e realidade.

SPIEGEL: Você filmou o filme em Londres onde você vive a maior parte do tempo e idolatra diretores europeus como Federico

Madonna: Não, eu sempre fui fascinada pela Europa. Na adolescência eu desenvolvi certa obsessão pela arte do mundo antigo. Por um ano eu freqüentei a Universidade de Michigan onde havia um clube do filme que semanalmente mostrava filmes europeus. Eu ficava impressionada com os filmes antigos italianos e franceses. Na verdade eu não tenho um filme ou diretor favorito mas Godard me influenciou profundamente na gravação do meu filme.

SPIEGEL: Consciência ecológica está em moda atualmente. Você obviamente parece ser uma fã do ex-vice-presidente e "pregador ecológico" Al Gore. Você ainda voa no seu jato particular?

Madonna: Eu adoro o filme do Al Gore sobre desastre climático por que toda lamentação sobre arte e criatividade é realmente ridícula se nós tivermos que viver num planeta prejudicado. E sim, eu mudei meus hábitos e espero que você também.

SPIEGEL: Você acompanha a campanha para eleição Americana?

Madonna: É exatamente isso que faço: observar. Se você quer saber agora para quem irei votar a reposta é: não faço idéia. Eu ainda não me decidi. Mas se você quer uma declaração: Eu absolutamente não sou fã de George W. Bush!

SPIEGEL: Você vai fazer 50 anos dia 16 de agosto. Haverá uma grande ou pequena festa??

Madonna: Um festa obviamente.

SPIEGEL: Rumores dizem que haverá uma grande celebração.

Madonna: Eu costumava dar grande festas.

SPIEGEL: Dizem que haverá um concerto no Central Park em Nova Iorque. Isso é o que tem sido dito nos tablóides ingleses.

Madonna: Isso é besteira, você não deveria acreditar.

SPIEGEL: Você já fez alguma busca no Google sobre si mesma?

Madonna: Eu não sou louca. Eu uso a internet somente como busca.

SPIEGEL: E qual foi a última coisa que você buscou?

Madonna: Algo sobre o escritor Rudyard Kipling. Eu queria saber se ele era um nazista. Em muitas das primeiras cópias dos seus livros havia um símbolo da suástica. Mas eu descobri que ele passou muito tempo na Índia e que a suástica lá é um velho símbolo de sorte.