INTERVIEW MAGAZINE
Madonna

Tradução: Adriano Luz

GUS VAN SANT: E aí, Madonna!
MADONNA: Gus, é você?

Sim, estou em minha casa em Los Angeles lendo o jornal.
Está morando em L.A. agora?

Ainda moro em Portland [Oregon], mas tenho uma casa em L.A., e estou começando a fazer um filme aqui.
Você está sempre fazendo um filme.

Normalmente.
Mas é isso que você faz.

É meu hábito. [risos] Ouvi dizer que você vai para a África.
Sim. Eu vou para o Malaui duas vezes por ano. É onde dois dos meus filhos foram adotados, e eu tenho vários projetos lá que vou supervisionar, e crianças que eu cuido. É como um compromisso que fiz com esse país e com as centenas de milhares de crianças lá que são órfãs por causa da AIDS. Fiz um documentário sobre isso [I Am Because We Are, 2008], e isso simplesmente se tornou parte da minha vida. Vou me encontrar com Jeffrey Sachs [o economista]. Tenho certeza que você já ouviu falar dele. Ele está lançando uma iniciativa de educação global, e eu serei sua assistente especial, por assim dizer. Faremos uma coletiva de imprensa para falar sobre a escola para garotas que estou construindo no Malaui. É tipo o nosso jeito de ter certeza que toda criança tenha chance de ter uma educação mais especificamente garotas, mas garotos também. As garotas, porém, em vários países em desenvolvimento, não tem chance de ir à escola, então o que estamos fazendo é o início de um sonho. Mas vou ao Malaui por muitas razões

Você já trabalhou bastante com o Jeffrey Sachs, não?
Sim. Temos apoiado um ao outro há anos. Trabalhei em algumas das Millennium Villages com ele. Temos dois locais com Millennium Villages no Malaui, e as duas vão muito bem. Ele é um ser humano incrível.

Nunca o conheci, mas ouvi dizer que ele é muito carismático.
Ele é extremamente carismático. Fala muito bem e é encantador. É uma das poucas pessoas que conheço que fala e age. Ele pensa muito grande.

Qual é a teoria econômica por trás das Millennium Villages?
Bom, seu trabalho é prioritariamente focado no fim da pobreza, mas você sabe, há muitas maneiras de se fazer isso. As Millenium Villages são um experimento que ele fez ao redor do mundo. Custa uma certa quantia de dinheiro, e leva um certo número de anos para que funcionem, mas ele transformou isso quase numa ciência, onde por $1,5 milhão de dólares em um período de cinco anos, pode-se fazer uma série de vilarejos interconectados que se auto-sustentam através da educação e tem preparados e diversificados seus cultivos, dando a eles ferramentas agrícolas, remédios e conhecimento. Jeffrey realmente tem apoiado todo o trabalho que tenho feito no Malaui. Então, sim, estaremos bebendo gim-tônica e matando mosquitos por lá. Falando nisso, Milk [2008] foi um filme tão brilhante. Chorei muito. Amei o filme.

Que ótimo. Obrigado.
Gostou de trabalhar com meu ex-marido? [risos]

Gostei. Sean [Penn] foi incrível.
Ele é incrível.

Ainda não trombei com Sean desde que começou a ir para o Haiti. Quer dizer, é incrível o que ele tem feito.
É. Ele tem fogo no rabo, isso é certo. E um grilo na cabeça.

Quando o chamei para ver se ele faria o papel em Milk, ele levou meio segundo para aceitar. Acho que ele sabia que os elementos estavam lá.
Eu entendo por que ele se sentiria atraído pelo papel e diria sim em dois segundos. Assistir Milk foi uma viagem no tempo para mim.

É mesmo? Você ia muito ao Castro?
Eu ia quando era mais jovem. Mas sabe, o que o filme mexeu em mim foram meus velhos tempos em Nova York e a cena em que surgi você sabe, com Andy Warhol e Keith Harring, Jean-Michel Basquiat e Kenny Scharf. Estava tudo tão vivo com arte, política e esse espírito maravilhoso. Muitas daquelas pessoas estão mortas agora. Acho que esse é um dos motivos pelo qual chorei. Na verdade, o papel que Richard E. Grant faz no filme que dirigi, Sujos e Sábios [2008], é de um professor cego, que foi baseado no meu professor de balé, Christopher Flynn. Tendo crescido no Michigan, eu de fato não sabia o que era um homem gay. Ele foi o primeiro homem o primeiro ser humano que me fez sentir bem comigo mesma e especial. Ele foi a primeira pessoa a dizer que eu era bonita e que tinha algo a oferecer ao mundo e ele me encorajou a acreditar em meus sonhos, a ir para Nova York. Ele foi uma pessoa tão importante na minha vida. Ele morreu de AIDS, mas ficou cego no final da vida. Ele amava tanto arte, literatura, música clássica, ópera. Sabe, eu cresci no meio-oeste, e foi realmente por causa dele que fui exposta a muitas dessas coisas. Ele me levou a meu primeiro clube gay, era um clube em Detroit. Sempre me senti esquisita enquanto crescia e que havia algo de errado comigo, porque não conseguia me encaixar em lugar nenhum. Mas quando ele me levou naquele clube, ele me colocou em um lugar onde eu finalmente me sentia em casa. Então aquele personagem em Sábios e Sujos foi dedicado à ele e inspirado nele. Não sei por que estou falando disso tudo, mas acho que vem desse mundo em Michigan e da trajetória da minha vida: depois de ir para Nova York e ser uma dançarina, quando toda a epidemia da AIDS começou e ninguém sabia o que era. E então, de repente, todos esse homens lindos ao meu redor, pessoas que eu amava tão carinhosamente, estavam morrendo, um após o outro. Foi uma época tão louca. E assistir ao mundo pirar a comunidade gay foi tão negligenciada. Mas foi também quando eu estava começando minha carreira... Não sei. Seu filme realmente mexeu comigo e me fez lembrar de tudo isso. É uma época que eu acho que não muitas pessoas documentaram. É uma época da qual as pessoas não falam muito. E mesmo havendo tanta morte, Nova York para mim estava tão viva.

É impressionante que você tenha tido uma pessoa como essa em sua vida, que influenciou tanto?
Graças a Deus! Senão, não sei se teria saído do Michigan. Acho que foi Christopher e minha professora de história russa, Marilyn Fellows. Os dois, acho que foram uma conspiração que Deus me mandou. A conspiração de anjos que me deram confiança e ajudaram a transformar meus limões em limonada, se é que você me entende. Porque quando se cresce em um lugar realmente conservador e você não se encaixa, é meio difícil... Você pode tomar um caminho ou outro.

Tive a oportunidade de assistir Sábios e Sujos. É uma obra de arte bastante íntima e circunscrita. Fiquei realmente surpreso. Não sabia o que esperar.
Sim, acredito. Acho que é íntimo. Nunca pensei nele dessa forma. É tipo uma história curta. Mas, de fato, se você a esmiuçar, é sobre a luta de ser um artista. Sinto como se os três personagens principais do filme fossem basicamente eu mesma.

E são?
Ou aspectos de mim, sim. Fui sortuda de encontrar Eugene [Hütz], o ucraniano que faz o protagonista. Quando comecei a escrever Sábios e Sujos eu não o conhecia, e o personagem que ele veio a representar seria um ator batalhador que se travestia para sobreviver. Mas quando conheci Eugene depois de vê-lo em outro filme, descobri que ele estava em uma banda, Gogol Bordello. Aí comecei a perseguir ele. [risos]. Eu fiquei, tipo, "meu Deus, ele é incrível. Vou transformar o personagem em um músico batalhador ao invés de ator". Achei que seria mais interessante.

Em que filme o viu?
Vi ele em um filme que Live Schreiber dirigiu chamado Everything is Iluminated [2005, baseado na novela de Jonathan Safran Foer]. Eugene foi o que mais gostei no filme, e fiquei meio obcecada por ele. Escrevi um papel para ele no script do meu novo filme, um guarda de segurança que é um imigrante russo vivendo no Brookling e trabalhando em Manhattan. Eugene inspirou o papel na verdade, o nome do personagem é Evgeni.

Esse script é o W.E.?
Sim, o filme que todo mundo acha que estou fazendo que deve ser um musical sobre o duque e a duquesa de Windsor. Não sei por que isso chegou nos jornais. O duque e a duquesa de Windsor estão no filme, mas não será um filme sobre eles. É na verdade sobre a jornada dessa outra mulher, e a duquesa e uma espécie de guia espiritual dela.

Então se passa em que época?
Se passa principalmente na pré-segunda guerra, na Inglaterra, 1939 a 1937 e aí em Nova York em 1998. Vai e volta no tempo. Eu uso o leilão da Sotheby's de 1998 da casa do duque e da duquesa de Windsor como um recurso para alternar as épocas.

Oh, fantástico.
Fantástico e complicado. [risos]. Não me dei conta, quando estávamos escrevendo o script, mas quando comecei a montar o elenco e planejar e trabalhar com meu produtor, eu fiquei "caralho, escrevi um script sobre um bando de gente rica. Isso será ótimo para o orçamento". A duquesa tem, tipo, 80 trocas de roupa. Ela era vestida por Balenciaga e Christian Dior e Vionnet e Schiaparelli. Cartier e Van Cleef & Arpels fizeram a maior parte das suas jóias. Boa parte das coisas verdadeiras estão em arquivos de museu. Eles não darão para mim. Mas vários desse ateliers se ofereceram para fazer coisas para mim. Conhece Ariane Phillips?

Nunca trabalhei com ela, mas conheço seu trabalho.
Ela está fazendo meus figurinos. Quer dizer, só os figurinos já são desencorajadores, porque o duque a e duquesa eram verdadeiros aficionados em roupa. Aí tem o leilão em si, eles leiloaram mais de 40 mil itens, boa parte era roupa e jóias e sapatos e objetos de decoração. Então tem bastante moda no meu filme, embora não seja sobre isso.

Então você terá que fazer algumas coisas e emendar o resto.
Sim. Será uma combinação de peças vintage reais, outras serão refeitas baseadas nos padrões encontrados nos arquivos, e aí faremos novos objetos. Da próxima vez escreverei um filme sobre uma pessoa em um lugar que não tenha guarda-roupa. [risos]

Quando você começou a escrever W.E.?
Escrevi nos últimos dois anos e meio, para dizer a verdade. Foi uma certa obsessão minha. Comecei a escrever quando terminei de filmar Sábios e Sujos. Foi na verdade uma idéia que tive antes disso, mas fiz Sábios e Sujos porque me dei conta que não tinha o direito de fazer um filme maior antes de fazer um menor e aí aprender a fazer um filme.

E esse novo será maior, obviamente.
Bem, é uma história maior. Tem mais personagens e três deles basicamente mudaram o curso da história inglesa. O rei Edward VIII abdicou ao trono para ficar com uma americana, Wallis Simpson, e isso é parte da minha história, então tive que fazer uma pesquisa enorme e entrevistar pessoas. Então tenho uma responsabilidade enorme nisso, e tenho responsabilidade com o leilão oficial, que realmente aconteceu. Aí tem a nova história, o ponto de vista, que é essa garota que tem uma obsessão e vai aos leilões e tal. Então é um trabalho muito mais elaborado, complicado do que Sujos e Sábios.

Uma das coisas interessantes que ouvi sobre o rei Eduardo VIII e Wallis Simpson foi sobre o círculo social deles. Você falará sobre isso no filme?
Sim, claro. Eles são um casal muito controverso. As pessoas tem idéias diferentes sobre eles. Quer dizer, o cara, Edward, abriu mão da posição mais poderosa do mundo pela sua mulher. Para os britânicos ele era o príncipe e rei mais amado em muito tempo ele era chamado e Príncipe do Povo. Ele era muito popular. Então o fato de ele ter abdicando do trono deixou muitas pessoas devastadas, e é claro que eles tiveram que deminozar a Wallis. Disseram que era tudo culpa dela e culparam ela sozinha pela decadência do império britânico, porque, é claro, a monarquia nunca mais foi a mesma, o que na verdade tem muito mais a ver com o fato de que tudo mudou completamente depois da 2 Guerra Mundial. Mas as pessoas acusaram Wallis de todo tipo de coisa. Disseram que ela jogou um feitiço em Edward. Disseram que ela era hermafrodita e ele gay. Disseram que eles era simpatizantes do nazismo. É a usual mentalidade do linchamento que recai sobre alguém que tem algo que muitas outras pessoas não tem. Eles precisam te diminuir dizendo que tem algo de errado em você, ou te acusar de algo que eles de fato não tem conhecimento ou direito de fazer.

Então eles decidiram ser um casal.
Sim, mas o amor não é suficiente, na verdade. Então tem sido uma jornada interessante tentar descobrir coisas sobre eles. Na Inglaterra, especialmente, descobri que se você trouxer à tona o assunto num jantar ou evento social, é como jogar um coquetel Molotóv na sala. Todo mundo sai com um argumento sobre quem eram eles. Quer dizer, eles eram muito controversos e continuam a ser. Então é claro que me sinto atraída por isso.

É um assunto fantástico.
A vida deles era absolutamente louca. É muito sobre a busca pelo amor e o significado da felicidade assim como sobre o culto à celebridade, de fato. Está tudo misturado num grande sopão.

Você escreveu o script com Alek Keshishian?.
Sim. Comecei a escrever sozinha, aí percebi que precisava de ajuda. É um assunto muito grande. Eu gosto da idéia de colaboração em geral. Não apenas é solitário fazer as coisas sozinho criativamente, é também meio arrogante. Acho que algumas pessoas são brilhantes o suficiente para serem brilhates sozinhas e nunca terem dúvidas e fazerem coisas fabulosas. Mas eu acho que é bom discutir com pessoas e ouvir elas dizerem "isso é péssimo" ou "você está doida" ou "isso é elegante" ou "o que você acha disso?" No mínimo, ajuda você a entender no que você acredita e no que você tem paixão e o que está uma merda. Acho que é importante ter um retorno. Conheço o Alek há anos e temos uma relação esquisita de irmãos. Num minuto estamos nos abraçando e chorando um no ombro do outro, no próximo estamos batendo a porta na cara um do outro e não nos falando por um mês; [risos]

Quando vocês escrevem juntos, é uma situação na qual os dois estão, literalmente, na mesma sala?
Ah, sim. Quer dizer, ficamos na mesma sala, mas também fazemos partes sozinhos e trocamos por e-mail, ou fazemos pelo telefone, ou sentamos juntos e tiramos o computador um do colo do outro, ou ficamos irritados com o quão lentamente a outra pessoa está digitando... então funciona de várias maneiras diferentes.

Quando você está escrevendo você estabelece algum regime em que escreve durante o dia ou à noite?
Costumo escrever durante o dia para poder ver meus filhos à noite. Mas se meus filhos não estiverem comigo e eu tiver um bocado de tempo sendo uma solteira vivendo em minha casa em uma milagrosa semana, escrevo em horários diferentes. Ou seja, nós já consumimos vela. Já viramos a noite. Já fizemos de todas as maneiras. Mas geralmente agendamos espaços de tempo para nos reunirmos e trabalharmos no roteiro.

Está apenas começando a montar o elenco?
Sim, estou selecionando. Quando voltar da África começarei a pré-produção oficialmente.

Para filmar nesse verão?
Sim. Uau!

Eu sei. É duro, não?
Muito duro. Não sei como é para você, mas para mim, fazer um filme, antes de começar a filmar, quando você está na trincheira, parece um processo de abrir caminho entre todas essas pessoas dizendo 'não'. Parece que o mundo inteiro está contra você. Nunca tive essa experiência antes, porque fazer discos e montar meus shows exceto no comecinho da minha carreira nunca passei por tanta resistência. Eu encontro as pessoas com quem quero trabalhar e junto tudo e é um trabalho duro e todo tipo de catástrofe acontece, mas eu não sinto muita resistência. É meio que um milagre que qualquer filme seja feito. Todo dia é tipo, "O que estou fazendo? Isso é insano. Eu poderia estar limpando o jardim agora. Isso é muito estressante. Quem eu penso que sou? Por que estou me inflingindo toda essa punição?" É como parece para mim, pelo menos.

Eu já falei para pessoas que acabaram de começar a fazer um filme que uma coisa que você pode sentir é que todo mundo está conspirando contra você, porque você não é necessariamente capaz de dizer o que é real e o que não é. Tem todas essas mensagens que você recebe de terceiros dizendo, "Você não pode ter essa locação. Você não pode filmar no estádio dos Yankee"
Esse ator não está disponível exceto por essas três semanas"

Sim. E é muito difícil para você tomar conta disso pessoalmente porque há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. É quase como tortura.
É tortura para mim, porque eu quero ir pessoalmente a todas aquelas pessoas que estão me dizendo não e dizer, "Não podemos fazer alguma coisa? Por que eu não posso filmar no seu castelo? Por que você não pode me fazer 30 figurinos e não me cobrar? Por que você quer trabalhar com Martin Scorcese se não pode trabalhar comigo?" [ambos riem]. Tudo parece ser um exercício de aceitação, não é? Fazer filme é uma colaboração. Num certo ponto, imagino que você tem que relaxar e confiar nas pessoas com quem está trabalhando. Olho para filmes como os de Wong Kar-Wai e tem uma sensação de família neles. Ele simplesmente continua trabalhando com os mesmo atores, diretor de arte e fotografia, e as histórias não mudam muito. Parece haver uma familiaridade ali que deve ser um belo regalo.

Wong Kar-Wai é uma ótima inspiração. Ele é sempre lembrado como o Jimi Hendrix da direção cinematográfica.
O q ue isso quer dizer?

Quer dizer que ele é tão tranqüilo e familiar com o que faz que pode fazer quase tudo.
Eu estava assistindo In the Mood for Love [2000] novamente a noite passada, porque eu amo a música. E, tipo, como a câmera lenta é pouco usada em filme? Mas, por alguma razão, ele se safa disso. Toda vez que os personagens passam um pelo outro na escada, tem aquele mesmo pedaço de música. É tão lindo. Ele põe esses dois casais vizinhos, e você nunca vê a esposa de um casal ou o marido do outro, mas você sempre ouve eles conversando. E não é bem uma história, mas você fica tão preso nisso. É algo para ser invejado. Embora as histórias pareçam simples, você acaba se sentido meio devastado e mexido e melancólico toda vez que assiste a algum de seus filmes bem, eu fico, pelo menos.

Eu também fico.
Mas talvez tenha algo errado comigo. Talvez eu seja apenas uma idiota.

Não, eu acho que são filmes muito fortes. Quem você está usando como diretor de fotografia?
Hagen Bogdanski. Ele fez The Lives of Others [2006]. Você viu esse filme?

Ah, sim. É incrível.
Ele também fez The Young Victoria, dois olhares diferentes. Mas eu o acho brilhante.

Porque o diretor de fotografia que tenho usado em muitos filmes é alguém ligado à você. Eu estava fazendo um comercial para a Levi's anos atrás, e o diretor de arte disse que tinha acabado de trabalhar com Harris Savides, e eles estavam meio que empurrando ele para mim. Eles disseram, "Madonna não trabalha com nenhum outro". Então eu disse, "Bom, que merda. Se a Madonna não trabalha com nenhum outro..."
Eu idolatro Harris Savides. Ele é muito caro para mim. Eu o adoro. Já trabalhei bastante com ele. Ele é o melhor. É interessante, no entanto, porque meu filme é essencialmente uma produção inglesa, e fui instruída a usar pessoas que moram lá, ou pelo menos na Europa. Filmaremos principalmente na Inglaterra, um pouco na França, alguma coisa em Nova York. Minha única indulgência é trazer minha própria figurinista, porque tenho trabalhado com ela por tantos anos e os figurinos são uma parte importante desse filme. Eu simplesmente não posso trabalhar com alguém novo. Mas Hagen parece brilhante e colaborativo - até agora, está ótimo. Vai trabalhar com Harris no seu próximo filme?

Bom, tem um filme que estou editando no momento. Chama-se Restless. Filmamos ele em novembro e dezembro, e Harris foi o diretor de fotografia. Já trabalhei com ele em um bocado de filmes. Seymor Stein [o executivo da música] foi alguém que conheci um pouquinho porque me ajudou com a trilha sonora de Até as Vaqueiras Ficam Tristes" [1993]. Ele foi alguém...
Realmente importante, que influenciou a minha vida? Meu Deus. Sim, claro. Ele acreditou em mim. Seymour Stein foi a pessoa que me contratou e me deu meu primeiro contrato com uma gravadora, que foi meu único contrato com uma gravadora. Eu fiquei na Warner Bros. até cinco minutos atrás. Ele ouviu minha demo. Ele estava no hospital, e pediu que eu fosse visitá-lo. Ele estava preso em uns aparelhos esquisitos não sei o que ele tinha. Mas ele me fez levar meu micro system e tocar minha música para ele. Ele estava deitado na cama, de calção e regata. Mas ele sempre foi meu campeão durante a minha primeira década de carreira. Então ele é também um personagem muito importante. Quer dizer, eu acho que todos tempos campeões, mas me sinto abençoada e sortuda por ter tido os que tive. Ainda procuro Seymour Stein de tempos em tempos. O vejo por aí. Ele ainda tem aquele brilho malcriado no olho.

Eu lembro que ele começava a falar de música ou algo assim e começava a chorar.
Oh, eu sei. Ele é um amante da música um amante da arte. Lembro que ele tinha uns quadros loucos uma vasta coleção de arte e as peças ficavam todas misturadas umas por cima das outras e escoradas nas paredes em seu apartamento labiríntico. Ele é um personagem. É curioso, porque parece que aqueles dias realmente acabaram na indústria da música, em que caras como esse moviam as coisas, ou você podia ir ver uma banda e ficar tão inspirado e descobrir eles e fazer discos com eles. É meio triste.

Agora a indústria da música e tipo classificados, né? Você faz seus próprios discos e os vende online.
Sim. É estranho é exatamente isso que está acontecendo. Eu não tenho um contrato de gravação nesse momento com ninguém. Não sei como vou lançar minha música da próxima vez que fizer um disco.

Você precisa repensar como fazer.
Vou ter que reinventar a roda. Eu não tenho focado o quanto deveria na parte musical da minha carreira porque este filme simplesmente consumiu cada polegada minha. Entre isso e meus quatro filhos, não tenho tempo ou energia para mais nada. Por exemplo, eu gosto que muitas pessoas trabalharam longa e duramente organizando coisas como o DVD da Sticky & Sweet tour, que acabamos de lançar, e vi o produto final, mas não faço idéia de como as pessoas vão ficar sabendo sobre ele ou como ele será vendido.

Eles ficaram sabendo. [risos]
Espero. Eu acho que tenho um fã-clube bem, é o que dizem.








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