Jamie King, diretor de palco da 're-INVENTION
Tour' fala ao MadonnaTribe.
MadonnaTribe: Olá Jamie, bem
vindo ao MadonnaTribe. Como surgiram na sua vida a música
e a dança?
Jamie King: Música e dançaa
sempre fizeram parte da minha vida. Eu comecei com a dança
porque desde que eu era criança eu sempre estava dançando
pela casa e aquilo era uma coisa que fazia parte do meu corpo.
Eu realmente não tive escolha, aquele era o jeito
que eu me expressava, tinha mais a ver com dançar do
que falar. A música surgiu mais tarde por que quando
você dança você precisa dançar por
algum motivo. Então eu me tornei um grande fan de música,
colecionava tudo e sabia tudo sobre música.
MT: Um dos artistas que já trabalhou com você
é o Prince. Qual a coisa mais útil que ele te
ensinou?
JK: Bom, esta é uma história bem interessante.
Eu estava conversando sobre isso outro dia com um amigo. Quando
eu era pequeno, eu era um grande fan do Prince. É interessante
a forma como a vida opera porque eu acabei trabalhando com
aquele cara por três anos e meio. Era muito estranho.
Eu era dançarino do Michael Jackson quando o Prince
me notou e disse "Você não deveria estar
dançando, você deveria estar saindo comigo".
E eu falei: "O quê?" e ele disse "Você
deveria estar comigo e deveria estar dirigindo, coreografando
e dizendo o que as pessoas deveriam fazer". "Eu
vejo algo em você. Têm visão das coisas".
E eu lembro daquilo tão claramente o porque eu estava
me perguntando: "Eu tenho? Acha que eu tenho visão?
Mas você é o Prince!?!." Você entende
o que quero dizer... Então, nos próximos três
anos e meio ele me colocou debaixo de sua asa e me ensinou
realmente tudo sobre música, tudo sobre o que eu sei
fazer agora. Ele era o meu guia. Foi a pessoa que me trouxe
para o lugar onde estou agora.
MT: Quando você e a Madonna se conheceram?
JK: Muito interessante. Eu estava trabalhando com o Prince
eu estava participando do American Music Awards. Participava
de um tributo ao Prince que durava 20 minutos e ela estava
sentada na platéia porque iria se apresentar, aquela
música com o BabyFace...
MT: "Take A Bow".
JK: Sim, "Take A Bow" com Babyface, ela estava
vestida como uma Chinesa. Então... ela estava na platéia
e eu fiz o tributo vestido de Prince na primeira metade. Eu
representei o Prince por 6 minutos, no final, o verdadeiro
Prince aparecia em pessoa e tocava por mais 6 minutos, mas
ele não estava afim de cantar nenhuma música
velha. Então, essa era minha parte. Saí do palco
usando as roupas dele. Eu tinha os cabelos loiros platinados
e Madonna estava sentada e me lembro de ter visto ela na audiência.
Bom, alguns dias após a performance que foi aplaudida
de pé, Madonna me ligou: "Jamie aqui é
a Madonna", e eu pensava: "O quê?" ela
disse "Eu vi sua performance e achei que foi muito boa".
Quando o Prince surgiu, que na verdade era eu, ela achou que
ele tinha mudado de estilo e tinha adorado aquilo. Ela disse:
"Eu gostei do cabelo dele loiro então eu descobri
que era você, e me interessei em saber quem você
era." Ela me disse que tinha um vídeo novo sendo
produzido chamado "Human Nature" e que queria trabalhar
comigo. Toda essa coisa depois surgiu daí...
MT: Muito legal ouvir isso. Uma história realmente
interessante...
JK: Para mim foi algo como outro sonho ter se tornado realidade.
Eu era um grande fan da Madonna quando era jovem e amava tudo
que ela fazia e tudo que ela era. Eu estava muito excitado
quando ela me ligou para falar sobre meu cabelo loiro! Eu
achei aquilo tão legal. E ela queria me conhecer.
MT: Como foi sua experiência no set de 'Human Nature'?
JK: Bom, na verdade ninguém sabe essa história
e eu acabo de lembrar dela também... Quando me ligou
ela queria que coreografasse em Londres... Eu acho que era
em Londres... Uma premiação em Londres quando
ela estava usando um cabelo loiro imenso como a Donatella
Versace...
MT: Sim foi a performance de "Bedtime Story" no
Brits Awards em Londres.
JK: Sim, e ela queria que eu fosse um dos caras, ela tinha
dois dançarinos e você sabe o que eu disse? Eu
disse que não sabia se eu era a pessoa certa para aquele
trabalho. Você acredita nisso???
MT:: Wow!
JK: Ela queria dois caras, ela queria que eu trabalhasse
com um cara chamado Sebastian. Queria dois gêmeos. Eu
falei: "Não acho que eu me pareça com o
e Sebastian, não acho que esse trabalho seja pra mim
e sugeri o Luca [Tommassini]. Esses dois se parecem mais e
você deveria usá-los. Eu posso fazer a coreografia."
Acabou que ela não me usou como coreografo ou na performance
e eu me senti devastado. Mas ela me ligou pra participar do
"Human Nature" e então quando me ligou e
fui encontrar o Alek Keshishian, que fez o "Truth or
Dare", eu dei idéias para o vídeo. Ela
adorou tudo! E falei com ela sobre essas idéias e disse
que eu deveria encontrar o Alek e assim fiz e repassei todas
minhas idéias. Após o encontro ela me ligou
dizendo "Não vamos mais fazer esse vídeo".
Novamente eu estava me sentido devastado.
MT: Aha!
JK: Ahaha, então, tipo um mês depois, ela me
ligou e disse "Jamie eu realmente adorei suas idéias,
mas agora quero que você fale com outro diretor, o Jean
Baptiste Mondino, e agora vamos fazer esse vídeo".
Eu falei "ok" e foi assim que tudo começou.
Eu fui para a casa dela pela primeira vez, e me lembro de
entrar no elevador nesse castelo que ela estava morando. Lembro
que cheirava muito bem.
Ela sempre está perfumada e eu estava reunido com
ela na sala da casa, sentado no chão e vendo livros
antigos feitos por um ilustrador famoso chamado Stanton, que
foi a inspiração de "Human Nature",
esse foi o tipo de visual e o tipo de imagem que usamos no
clipe. Para mim era inspirador, ver alguém que assim
como eu, é inspirado por revistas e livros antigos
de arte.... Eu estava muito empolgado com aquilo pois era
o tipo de coisa que eu fazia.
Nos sentamos e debatemos nossas idéias e olhamos as
roupas e falamos sobre figurinos. Conversamos muito. Fui embora
do encontro me sentindo otimista o que estava para acontecer
e, esqueci de mencionar, ela me deu liberdade. Ela me incentivava
'Faça isso, Jamie. Enlouqueça!". Ela me
deixou enlouquecer.
MT: Então seu relacionamento com Madonna começou
com encontro de idéias e talento. Isso é muito
legal!
JK: Sim.
MT: Então, o próximo projeto que trabalharam
juntos foi o clipe de "Don't Tell Me" ou existe
algo que fizeram nesse meio tempo?
JK: Oh boa pergunta! Sim, foi o clipe de "Don't Tell
Me"
MT: E era Mondino de novo.
JK: Sim era o Mondino outra vez. O relacinamento era legal,
nós três juntos de novo. Era um ambiente onde
todos compartilhavam. É muito bom quando isso acontece
em um estúdio. Foi uma linda colaboração,
ele realmente é um mestre na arte da fotografia...
nós sabemos que tudo o que ele filma resulta em algo
bonito.
Nos sentamos e ele realmente não tinha muita coisa
escrita. Eu e Madonna tivemos muitas idéias e sugeri
um estilo a ser seguido e o Mondino executou essas idéias
e Madonna concordou com tudo. Foi uma grande colaboração.
MT: Após isso, veio a tour promocional do 'Music'
também conhecida como "Rock N Roll Circus".
Você fazia idéia de que terminaria dirigindo
a próxima world tour ou isso te pegou de surpresa?
JK: Absolutamente, primeiro eu estava muito entusiasmado quando
me chamaram para trabalhar no "Rock N Roll Circus",
eu estava muito feliz pois eu sabia, sentia que ela faria
uma grande tour e eu realmente gostaria de fazê-la pois
tinha grandes idéias de como gostaria de vê-la
se apresentando.
Eu sou obcecado pela forma de como quero ver Madonna sendo
apresentada em um próximo projeto, esta é minha
obsessão (risos). Ela teve tantas encarnações,
então, é um grande desafio para mim a próxima
coisa que posso mostrar as pessoas sobre ela.
MT: Seu papel como diretor e seu envolvimento criativo mudou
da "Drowned World" para a "re-Invention Tour"?
JK: Só me envolvi mais. Daquela primeira tour promocional,
que era apenas diversão, unindo conceitos e nos divertindo.
Você viu aquela tour?
MT: Sim.,
JK: Pra mim, ver Madonna de volta aos palcos para uma mini
tour era demais. Ela tinha acabado de ter um bebê e
era tão bom vê-la se divertindo.
MT: Sim, ela estava ótima.
JK: Oh man yes, foi ótimo e todo mundo estava tão
feliz, e quando as coisas se dirigiram para a "Drowned
World Tour"... escureceram.
Foi uma fase negra em nosso relacionamento que eu adoro.
Eu sempre me atráio pelo lado escuro. A música
dela, naquele momento, era agradável e introspectiva
e um pouco pesada, entao, a tour realmente refletiu essa fase.
Eu achava que era muito importante que a Madonna não
esgotasse os estádios por não estar cantando
os seus grande sucessos. Sugeri que ela fizesse os hits, mas
ela queria fazer uma cobertura de seu novo material porque
era no que estava envolvida e o que refletia quem ela era
naquele momento.
Houve muitas discussões pois existem managers envolvidos
e gravadora. As pessoas se preocupam com o fato de você
cantar os hits. O que é ótimo na Madonna é
que ela sabe o que tem que fazer e o que é certo para
ela.
Eu senti que a "Drowned World Tour" era uma declaração
do que ela estava envolvida e tinha que optar pelo lado mais
dark, uma versão mais pesada e introspectiva e foi
capaz de fazer isso e chegar a outro nível que foi
a re-Invention tour. Você entende o que eu digo?
MT: Sim, perfeitamente. Na verdade uma das palavras que descrevi
para a "Drowned World Tour" foi 'introspectiva'
para falar sobre o show.
JK: Mas não foi premeditado. Literalmente, quando
Madonna e eu tivemos os primeiros encontros sobre a Drowned
World Tour, eu tinha um punhado de idéias e ela também.
Entao, quando começamos a tocar aí chegamos
no "Ray of Light" que era meio trance e temperamental
e incluímos uma música sobre suicídio.
Então incluímos "Mer Girl" que fala
sobre a morte. Aquilo era realmente dark, não tivemos
outra escolha a não ser explorar aquele lado e Madonna
por muitos anos tem sido tão, tudo e sobre beleza,
artes, grande luz, poder, imagens positivas. Seria interessante
vê-la transformada nesse tipo de personagem negro. Foi
realmente intrigante.
Madonna estava obcecada naquele momento com o tema da Gueixa
e também é um lado muito dark para se explorar.
Embora seja um das posições mais cobiçadas,
acredite ou não, a coisa de ser um tipo de prostituta
não faz sentido. Mas se tornou uma coisa mais pesada
quando juntamos ao conceito da tour.
MT: Muita gente imagina que a "re-Invention" ao
contrário da "Drowned World Tour", foi criada
com os fans em mente. Esta é a sua opinião?
JK: Eu acho que Madonna, primeiramente sempre vai fazer o
que ela acha certo naquela hora. Ela é uma artista
de verdade. Ela têm que ser capaz de explorar o que
ela é naquele momento. Ela era a "re-Invention
Tour" na época da "re-Invention Tour".
Ela era a "Drowned World Tour" na época da
tour.
Eu não acho que Madonna, embora ela ame e adore seus
fans, faria algo especialmente para eles por causa de pedidos,
você entende o que digo? Ela quer inspirá-los
e inspirar o mundo. Assim você não faz aquilo
que te pedem para fazer. Você tem que ser um líder,
não um seguidor. Ela tem que fazer o que sente naquele
momento. Esta é a razão dela ser tão
respeitada e, principalmente, os fans irão seguir junto,
e isso que você deve fazer se é um grande artista.
MT: Sim, e falando de "re-Invention", como este
nome foi escolhido?
JK: Foi idéia da Madonna, pois durante anos ela vem
dizendo que se reinventa. E seguindo a Moda Madonna, ela brinca
com aquilo e usa contra... quem usa
MT: Você também teve um grande envolvimento
na concepção do palco da re- Invention tour?
Ouvimos histórias sobre você ter ido na casa
da Madonna segurando uma caixa de sapatos e dizendo: "estas
são minhas idéias..."
JK: Oh yeah, como você sabe dessas coisas, Oh meu Deus
(risos)... wow... Bom, a Madonna me chama de 'Crazy'... esse
é meu apelido porque na tour promocional eu queria
que ela mergulhasse no palco e ela me disse 'você é
maluco', mas ela fez isso...
Eu queria que ela beijasse no MTV awards... Beije a Britney,
beije a Christina e ela me disse "O quê?"
e eu "É um casamento e no final do casamento você
beija".
MT: Claro, ela era o noivo.
JK: Mas vou na casa dela freqüemente com coisas loucas
e eu tinha uma caixa de sapatos Gucci de um dos meus assistentes
e eu transformei aquela caixa em um palco. Eu tive essa idéia
de palco e ela teve algumas idéias no decorrer do ano
passado que ela me mandou por email, então, colocamos
tudo dentro de uma caixinha de sapatos.
Não sou um designer de palco, mas cada ano, cada época
com Madonna, cada encarnação eu tento fazer
mais pois me entusiasma e ela sempre me incentiva a fazer
mais se cobra a fazer mais ainda. Eu desenhei este palco nessa
última vez e tudo surgiu daí. Um trabalho imenso
que consumiu muito tempo, organizar os sets, a ordem das músicas
com as trocas de roupa com os blocos, o conceito, o design
e construção do palco e a produção
do conceito dos grafismos dos telões que você
assistiu.
MT: Sim, as telas eram imensas, provavelmente as maiores
disponiveis atualmente, eu acho...
JK: Nós fizemos sob encomenda, era um absurdo. O que
nós fizemos nunca tinha sido feito antes. Na verdade,
foi um aspecto muito técnico. Telões são
comuns, as pessoas usam aquilo, mas eles mostram mais imagens
brilhantes que te deixam meio cego. Eles podem ser muito poderosos
e com o tamanho daquelas telas, podia ser grande demais.
O que fiz foi botar uma camada como uma tela de cinema em
cima das telas para filtrar as imagens e fazê-las parecer
mais com projeções do que com telões
de cores brilhantes, o que ficou muito legal.
MT: Você teve a idéia ou dirigiu algo que foi
mostrado nas projeções?
JK: Meu amigo Dago Gonzalez é diretor de vídeos.
Está comigo em todas as tours, Christina Aguilera,
Pink e também na da Madonna e sempre tem idéias
para os telões. Dago traz os filmes que queremos. Mas
estou lá pois toda a coreografia, visuais e conceitos
são meus, e o set é meu. Eu sei o que vai fazer
as coisas no palco serem melhores, então trabalho muito
próximo ao Dago. Ele deve falar que eu sou muito chato
e que perco horas na sala de edição trabalhando
com ele enquanto sua equipe já foi dormir.
MT: Parece ótimo...
Agradecimentos ao www.madonnatribe.com
que cedeu gentilmente a entrevista

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