Mike McKnight, engenheiro de som da
're-INVENTION Tour' fala ao DrownedMadonna.com.
DrownedMadonna: Quando você começou
a trabalhar com música?
Mike McKnight: Eu comecei a tocar guitarra
em bandas quanto eu tinha mais ou menos uns 15 anos, logo
depois eu comecei a tocar teclado. Eu sou um auto-didata.
DM: Mike, você é o mago tecnológico da
Madonna por anos. Comecou com a Blonde ambition e desde aquela
época muita coisa mudou, assim como o gosto musical
da Madonna. Quais são as diferenças entre a
Blonde Ambition, Girlie Show, Drowned World Tour e mais recentemente,
a Re-Invention Tour? Qual show foi mais desafiador?
MM: A tecnologia não pára e eu estou constantemente
me atualizando. Eu usei um Atari 1040 ST na Blond Ambition,
um mac IIci no the Girlie Show, 2 G4’s na Drowned World,
the 2 G5’s e um G4 na the Re-invention tour. Musicalmente
muita coisa não mudou entre os espetáculos.
A Madonna tinha as mesmas expectativas pelo meu trabalho em
1990 e em 2004. A Blonde Ambition foi mais desafiadora. Foi
quase como fazer fogo usando duas pedras.
DM: Qual sua turne favorita da Madonna?
MM: Re-invention é de longe a melhor de todas. Nós
tocamos em alguns lugares incríveis, e tivemos realmente
um ótimo time trabalhando.
DM: Conte mais sobre o processo criativo para a turnê.
Eu imagino que você trabalha com o pessoal do audio
e da coreografia separadamente e você mistura tudo no
estágio final...
MM: Nós tivemos um mês de pré-produção
para organizar as músicas e os sons separadamente.
Um mês com a banda ensaiando, onde a Madonna se dividia
ficando algumas horas com a gente e depois indo ensaiar com
os bailarinos e com o coreógrafo. Tivemos de 4 a 6
semanas com o set completo ensaiando todo o show.
DM: Quando você começou a trabalhar para a Re-Invention
Tour?
MM: Fizemos alguns programas de TV em 2003 e naquele instante
começamos a conversar sobre a tour. Quando eu tinha
um tempo livre eu ia para o meu estúdio juntar as músicas
e me certificar que tudo estaria organizado caso se decidisse
por fazer a turnê. Houve uma época em que eu
estava realmente muito ocupado, então, me preparar
quando eu estava sem fazer nada é o único jeito
de estar preparado para a Madonna. Eu e Stuart começamos
em Marco de 2004.
DM: Stuart Price e você foram para Los Angeles uma
semana antes para começarem a trabalhar nos arranjos.
Você recebeu um setlist definido ou foi escalado para
trabalhar em 24 músicas ou mais. Voce pode explicar
isso?
MM: Tivemos 40 músicas na primeira lista, que foram
reduzidas para mais ou menos 30, e então chegamos as
24 finais nas duas últimas semanas de ensaio.
DM: Falando de setlist... por que Dress You Up foi substituída
por Material Gril durante a parte final dos ensaios?
MM: Foi a parte final de ajustes para fazer o setlist certo.
Material Girl soava mais pesada em um ponto do set que Dress
You Up soava 'ok' mas não muito forte.
DM: Poderia dizer algumas músicas que foram ensaiadas
mas que não foram incluídas no show?
MM: Trabalhamos com Swim, Love Profusion, I'm So Stupid, Take
a Bow e rapidamente com Live to Tell, mas Madonna se recusou
a cantar a música de novo, então não
perdemos muito tempo trabalhando nela.
DM: De todas as músicas que foram reinventadas e rearrajnadas
para a tour, qual foi a mais difícil para se reinventar?
MM: Holiday foi de longe a mais difícil! Acho que trabalhamos
em mais de 5 ou 6 versões diferentes antes da Madonna
ficar feliz com o resultado final.
DM: Deeper and Deeper foi totalmente modificada. Poderia
nos contar mais sobre isso?
MM: A idéia foi do Stuart, então começamos
a trabalhar em cima do conceito durante alguns dias. Eu toquei
contrabaixo, Stuart ficou com a parte das cordas. Marcus tocou
piano e Steve ficou com a parte da percussão. Foi um
processo totalmente colaborativo.
DM: Madonna gravou alguma demo em estúdio para a turne?
MM: Não.
DM: Quais tipos de problemas aconteceram durante a turnê?
MM: Nada demais, somente longas horas de trabalho.
DM: Fale um pouco do seu trabalho, do software e do harware
que você trabalhou dessa vez.
MM: Eu sou o programador e tecladista. Eu toco teclados nos
programas que Madonna se apresenta na TV. Mas nas grandes
turnês eu fico embaixo do palco com computadores, teclados,
monitores e um microfone onde posso falar com M. e com a banda
durante o show se eu precisar. Eu tenho 22 G5’s, e um
G4 with Digital. Eu uso um Roland Fantom, e Roland V Synth
para os teclados.
DM: Mike, você também têm sido o braço
direito de Madonna nas apresentações e performances.
Por favor, conte mais sobre o processo criativo e ensaios
disso. O que difere de um show completo?
MM: TV/promo tours não é uma produção
muito grande pois exige muito. Temos apenas uma semana para
ensaiar e o orçamento é um pouco mais apertado,
então temos que trabalhar com menos gente. Os set são
mais crus, se compararmos com uma tour de verdade. Raramente
trazemos backing vocals e dançarinos para promoção.
Abrimos uma excessão para o London Brixton Show em
2000 que foi transmitido ao vivo pela internet.
DM: Você trabalha com muitos outros aritstas. Eles
participam de todas as passagens de som? Eles se envolvem
pessoalmente no processo? Qual a diferença de Madonna
e os outros artistas?
MM: Madonna é uma turma de uma pessoa só. Ela
sempre está presente em cada ensaio e passagem de som.
O único artista com quem trabalhei que chega perto
da Madonna nesse conceito ético foi o Bruce Springsteen.
DM: Fale mais um pouco da capacidade de Madonna em dar opiniões
sobre músicas e imagens...
MM: Madonna é uma pessoa que têm visão
clara de tudo o que ela quer. É realmente um prazer
trabalhar com ela nesse sentido.
DM: O que você aprendeu trabalhando com ela?
MM: Jamais, em hipótese alguma, foda com tudo!
DM: Recentemente, o Elton John acusou a Madonna de dublar
na Re-Invention Tour. Quem viu o show tem a impressão
que ela realmente não canta ao vivo em Vogue, Nobody
Knows Me e Die Another Day, e deixaram muitos em dúvida.
O que você sabe disso? Pode ajudar a esclarecer essa
dúvida?
MM: Elton sabe melhor que ninguém. Alguns artistas
como a Britney e Janet são dançarinas e a audiência
delas não se importa com música ao vivo. Isto
não é segredo. Madonna não se enquadra
nessa classe. Ela canta e nós percorremos cada efeito
de som mais complicado para dar a entonação
que ela quer ao vivo. Acredite que seria mais fácil
se ela dublasse mas ela não faz isso. Alguns efeitos
vocais são pré-progamados. Mas ela não
é Ashlee Simpson. NÃO CHEGA SEQUER PERTO DISSO.
(Nota: Ashlee, irmã de Jessica Simpsom, ficou marcada
ano passado quando se apresentou no campeonato Super Bowl
e, tentando cantar ao vivo, desafinou a música inteira.
Meses antes havia se apresentado no programa Saturday Night
Live e quando iria começar sua performance, soltaram
o playback antes do momento certo. Ela, sem jeito, tentou
disfarçar com uma coreografia desengonçada,
mas acabou deixando o palco.)
DM: Você sabe quando o documentário vai ser
lançado?
MM: O filme será lançado no próximo verão.
DM: Existe algum trabalho futuro com Madonna em sua agenda?
MM: Existe uma conversa de uma tour no verão de 2006,
mas as coisas mudam rapidamente. Quem sabe?
DM: Durante a tour recebemos notícias que Madonna
trabalhava com Stuart produzindo algumas músicas. Isso
é verdade?
MM: Sim, Madonna e Stuart estão trabalhando juntos
e o Mont Pittman está tocando violão.
DM: Quais são seus próximos projetos?
MM: Honestamente eu estou curtindo meu tempo livre para fazer
algumas mudanças. Estou começando na área
de empresariar bandas e estou inicialmente com um conjunto
holandês chamado "Bagga Bownz". Eles são
incriveis! Também estou aprendendo a tocar e a escrever
músicas de novo!
DM: Como o setlist mudou durante o processo criativo?
Como chegaram as 30 canções finais que foram
cortadas para 24 durante as 2 últimas semanas dos ensaios?
MM: Foi um esforço de colaboração
entre Madonna, Jamie King e Stuart. Eles queriam um show por
volta de 1 hora e 45 minutos com a maior quantidade possível
das melhores canções de Madonna e sem essas
músicas serem tão exigentes com a capacidade
vocal dela, já que seriam feitos mais ou menos de 4
a 5 shows por semana. Outra exigência era que as canções
deveriam dar margem a inserção de elementos
interessantes do ponto de vista visual e também musical.
Eles queriam muitos hits, mas queriam 'reinventar' os hits,
os quais Stuart fez um trabalho magnífico.
DM: Na entrevista anterior você disse
que a Madonna ensaiou "Love Profusion", "Take
A Bow", "Swim", "I’m So Stupid"
e muito rapidamente "Live To Tell", dentre outras
músicas. Mas onde você pensou em incluir essas
canções? Será que poderia nos dizer qual
foi o primeiro setlist reduzido???
MM: Este seria o show no dia 19 de fevereiro
de 2004 e não a lista de músicas a serem escolhidas:
1. Vogue
2. Swim
3. Nobody Knows Me
4. Express Yourself
5. American Life (Headcleaner Mix)
6. Burning Up
7. Love Profusion (Headcleaner Mix)
8. I'm So Stupid
9. Hollywood (VMAs Mix)
10. The Devil Wouldn't Recognise You (nova música)
11. Hanky-Panky
12. Dress You Up (in E flat)
13. Take A Bow
14. Bedtime Stories (video)
15. Like A Prayer
16. Don't Tell Me (promo tour version)
17. Mother And Father (promo tour version)
18. Live To Tell
19. Into The Groove (GAP version) ou Holiday
20. Music
21. Crazy For You (um passo abaixo)
22. Die Another Day
Então você pode notar que as coisas mudaram
muito radicalmente daquela época até o setlist
final...
DM: Finalmente temos informações confiáveis
sobre o tão falado musical e finalmente o título
de uma das músicas. Como e "The Devil wouldn't
Recognize? É verdade que tem um arranjo 'old school'
um som inspirado nos anos 20 ou algo parecido???
MM: Sim, tem muito dos anos 20.
DM: Quem escreveu a música?
MM: Madonna e o Mirwais...
DM: Não existem referências a "The Beast
Within"... Por que?
MM: Beast Within sempre esteve no set, é que ninguem
tinha me falado disso até o mês de março.
Stuart fez uma abertura para o show com Vogue, mas novamente,
quando ele mostrou para a Madonna ela pediu por The Beast
Within.
DM: O que significa em 'E Flat', em F é um passo passo
abaixo?
MM: E só um termo musical pra falar sobre a chave na
qual tocaremos a música.
DM: "Imagine" não estava no primeiro setlist,
quem teve a idéia de fazer a Madonna cantar a versão?
MM: Foi idéia da Madonna. Stuart fez o arranjo final
que nós usamos. Aquela música demorou um pouco
pra ficar pronta, mas considerando a mensagem política
que demos ao público, tudo valeu a pena.
DM: Pode falar mais um pouco sobre as duas versões
de "Don't Tell Me"?
MM: Trabalhamos com uma versão com arranjos franceses
e uma parte com vibração americana, e a versão
com a música do Richard Ashcrofts, "Bittersweet
Symphony" que o Marcus Brown (tecladista) trouxe e mostrou
pro mundo inteiro.
DM: Depois que você falou que não demorou muito
tempo para descartar a 'Live to Tell' porque a Madonna não
queria cantar a música de novo, alguém nos escreveu
especulando se o motivo seria o Guy Ritchie. Supomos que isso
não seja verdade. Você pode esclarecer esse ponto?
MM: Ah não vem com essa... você sabe melhor do
que ninguém... Ela só achou que a música
não era boa o bastante pra entrar no setlist.
DM: Por que ela não cantou "Easy Ride"?
MM: Eu tinha a música pronta, e pessoalmente é
uma das minhas favoritas, mas acho que a Madonna preferiu
fazer uma tour só com os hits de presente para os fans
dela.
DM: É verdade que a Madonna ensaiou uma música
nova para a tour?
MM: Yeah, nós tivemos uma música que ela está
desenvolvendo chamada "I Love New York", que realmente
é otima! Ela tocou guitarra também. Espero que
ela e o Monte Pittman terminem a música.
DM: Mmm... Isso é tão interessante! Conte mais!!!
MM: A música surgiu nas aulas de guitarra que o Monte
dá para a Madonna e nós costumávamos
brincar com ela nas passagens de som.
DM: Como ela soa?
MM: "I Love New York" é um título
que soa simples e não muito sério...
DM: Madonna não incluiu um bis nas suas duas últimas
tours. O que você tem a dizer sobre isso?
MM: "Ray Of Light" foi seriamente discutida para
ser um possível bis. Ouvimos algumas especulações
sobre isso. Madonna estava sentindo que seria muito desgastante
vocalmente falando após um show inteiro. Ela estava
decidida a não fazer nenhum bis porque nenhuma grande
apresentação 'faz bis, ele fazem apenas um grande
show'. Madonna queria finalizar em grande estilo com Holiday.
Tivemos poucas apresentações que ficaram aborrecidas
com a falta de bis.
DM: Você se lembra das músicas que no final
das contas seriam bis, mas que não entraram no setlist
das outras tours da Madonna?
MM: Como se passaram alguns anos, não me lembro das
músicas que não foram usadas. Normalmente M
tem uma grande noção de tudo o que ela quer
fazer, mas para a Re-Invention ela estava ocupada fazendo
outras coisas, então Jamie a empresaria e o Stuart
me deram uma imensa quantidade de músicas para eu aprontar.
Depois do Brixton Academy Show eu fui para o estúdio
aprontar tudo que a gravadora da Madonna me transferiu então,
estamos prontos para tudo o que a Madonna jogar pra cima da
gente. M decidiu de última hora cantar duas músicas
no Brixton show que eu não estava preparado, e que
deveriam estar comigo, então, depois disso, Caresse
me deu tudo que podia me dar para que estivesse à mão
caso a gente precisasse.
DM: Qual é o nome do documentário?
MM: Honestamente eu não sei, mas está quase
certo que vá estrear no Festival de Cannes desse ano.
DM: Do que se trata, é uma coisa Truth Or Dare II?
Quais são os objetivos da Madonna?
MM: Não acho que vai ser outra coisa "Truth or
Dare" completamente. Eu acho que isso vai ser uma viagem
na tour da Madonna e, acho que vai ser mais divertido que
o Truth Or Dare.
DM: Onde Madonna, Stuart e Monte estão trabalhando
agora?
MM: Estão trabalhando em Londres até o momento.
DM: Muito obrigado por falar com a gente de novo!
MM: Mantenham o bom trabalho. Seu site é realmente
ótimo!
Agradecimentos ao www.drownedmadonna.com
que cedeu gentilmente a entrevista

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