PREPARAÇÃO
Para o primeiro show chegamos cedo ao Stade De France ficamos na área VIP, que já tinha boas filas na porta. Cento e trinta pessoas possuíam o Hot Tickets que dessa vez funcionou com a entrada antecipada de uma hora, o que garantia ficar na grade do palco e analisar os poros na pele da Madonna.
Às 18h o portão foi aberto para o público geral e o caos imperou na entrada para os ingressos VIP em geral, com muita gente se debatendo, espremendo e sem cheiro de perfume frances. Péssimo! Parecia um arrastão, as pessoas corriam por alguns metros, paravam e se espremiam desafiando a lei da física. Se em Paris foi assim, imagine no Brasil ja que a organização daqui, até então, está sendo bem falha (esperamos ser surpreendidos, claro!).
Horas e horas em pé até o começo do show... Tudo bem cansativo. Até ali já somavam-se 7 horas de pé. O Dj Bob Sinclair entrou às 18h30 acompanhado de um cara bem chato que nao calava a boca. Nem animou muito não...
PRÉ-SHOW
O público não parava de urrar, fazer 'holas' e gritar por MadonnA (como falam os franceses, com entonação maior no último A.) e após meia-hora de atraso, Madonna subiu ao palco para delírio total.
O estádio é um pouco maior do que quando vimos em Cardiff. Assim como no primeiro show, tivemos a impressão que as proporções do palco são pequenas para as dimensões de um estádio de futebol. Os telões nas laterais são extremamente pequenos, um problema para quem estiver sentado nas arquibancadas centrais, de frente para o palco. A organização do show poderia providenciar telões maiores ou mesmo um daqueles caminhões com um telão gigante para ficar no meio da pista, na área central, como acontece tradicionalmente com festivais de música.
O SHOW
Na primeira noite ficamos posicionados bem no centro do palco, na frente da passarela, o que dá uma visão ampla de toda a parafernália, pirotecnia e tudo o que acontece ali. A magia em torno da tecnologia surpreende todos, principalmente o fabuloso e indescritível telão que se desfaz em fatias. É impressionante como cada coisa ali funciona em total sincronia. Um evento único e rico aos olhos de qualquer admirador de arte e cultura pop, independente de gostar ou não da música da Madonna.
Madonna estava muito animada, desenvolta, sorridente, brincalhona e, apesar de seus shows serem mecânicos, há sempre uma ou outra brecha para uma conversinha e brincadeira fora do script com o público. A animação na área VIP, próximo ao palco, era muito grande e não tinha como ficar parado com o público em êxtase, principalmente na abertura, onde a platéia literalmente tem um ataque histérico.
Alertas dos seguranças em torno da grade era sobre a proibição de fumar - se bem que estava tão espremido que se você levantava a mão, mal conseguia abaixá-la! Câmeras e filmadoras entraram sem problemas e quase todo o público registrava o show numa quantidade absurda de flashs na cara da Madonna (e nem precisa deixar ligado o flash, diga-se de passagem). Às vezes, são tantas câmeras que consiste em um obstáculo para ver o show, prejudicando algumas cenas ou caras e bocas da Madonna. De longe, porém, as câmeras formam um lindo efeito de céu estrelado.
O som no início parecia estar bem baixo mas há uma explicação: todos ali na pista cantam e berram e é quase impossível ouvir a voz da Madonna! Aos poucos, a rouquidão foi dominando a geral e tudo ficou melhor.
Sobre as músicas, já demos detalhes sobre cada uma em nossa review do show de abertura de Cardiff e somente algumas considereções são válidas: "Candy Shop" com sua fantástica abertura estilo Willy Wonka é sem dúvida um rico espetáculo visual, bem desenvolvido e que certamente entra para a galeria de melhores aberturas de turnê da Madonna (atrás talvez da abertura da "Confessions Tour", que seja a mais impactante de todas). O primeiro bloco é impecável, a não ser "Human Nature" que poderia ter ganho arranjo mais animado e uma coreografia. Madonna paradona ali no palco na terceira música, já tocando guitarra, não vence. "Vogue" é um absurdo, com Madonna sendo MADONNA e misturando o clássico com coreografia arrojada com pitadinhas de movimento hip hop. O intervalo de "Die Another Day" funciona, mas quem está sentado na arquibancada láaaaaa longe não consegue entender que Madonna não está no palco!
"Into The Groove" beira a perfeição e poderia ter sido facilmente o número final do show. Madonna esbanja energia, simpatia e sobretudo mostra sabe como ninguém entreter, intrigar e tirar onda com sua forma física. Vale também registrar que a música possui sample de um remix da música "Toop Toop", de Cassius. Mas isso não é novo! A dupla francesa de djs e produtores Loo and Placido produziu um mashup de "Into the Groove" com "Toop Toop" há dois anos! Madonna e o Dj Eric Jao certamente já conheciam e decidiram colocar no show. Para conferir o mashup antigo, clique aqui.
"Heartbeat", uma música bem boa do álbum "Hard Candy" é a que possui a performance mais fraca e apagada no show e é a única música com a voz pré-gravada. Não é legal.... poderia muito bem ter sido excluída. A parte "vergonha alheia" do primeiro show ficou com "Borderline" com Madonna desafinando por quase toda a música! Acho que só ela ainda não se deu conta de que não possui mais aquela vozinha aguda dos anos 80. No segundo show, se saiu melhor, amém! "She's Not Me" é outra vencedora principalmente com Madonna dando a louca ao ver suas manequins no palco. "Music" é outro ponto alto mas o trem de subúrbio de onde os dançarinos surgem e vão embora não tem os vagões em movimento. Estranho.
O bloco cigano é outro triunfo, começando pela bela abertura com samples de "Rain", a performance de "Devil.." com um indescritível efeito visual para quem está longe (de perto não nota-se nada). "La Isla Bonita" com "Lela Pala Tute" é ótima, extremamente animada e contagiante. Melhor que a performance do "Live Earth". Todo o resto do bloco funciona bem, até mesmo com "Doli Doli", que nem achamos chata dessa vez, onde Madonna senta com a roda de amigos e simula tomar um goró, enquanto uma dançarina faz a dança das 7 saias.
O que realmente nos deixa com uma sensação de desconforto é sobre o último bloco, onde as músicas se perdem. Entitulado de "Rave" tenta colocar o público todo para dançar mas somente algumas músicas realmente possuem essa função como "Like a Prayer", que numa versão bem bate-estaca, vai ser trilha de muitos shows de drags por aí. É uma performane bem rica com Madonna se acabando e dezenas de mensagens espirituais nos telões. Em "4 Minutes" ela parece engessada com as ombreiras mais horrendas da história da moda. As versões de "Ray of Light" e "Hung Up" em sequência não fazem jus ao conceito dançante e o final - apesar dela conversar bastante com o público em "Hung Up" . O remix exclusivo e maravilhoso de "Give it 2 Me", encerra o show de forma grandiosa, apesar de não ter bis nem ao menos um agradecimento da Madonna perante ao público. Podia falar um "thank you, good ninght"... Super grossa...
No segundo dia assistimos tudo de novo sob a visão lateral. Por incrível que possa parecer, os ingressos na arquibancada lateral eram mais caros que na pista VIP, talvez por algum erro estratégico pois isso seria perfeito para um jogo, e não num show.
A visão do palco fica completamente prejudicada por ali: não se enxerga os efeitos mirabolantes e tecnológicos do palco e você fica com impressão de que o show não é legal. O som é ótimo, alto e somente os telões são realmente bem pequenos para o tamanho de tudo aquilo. É interessante ver o show a distância principalmente para entender um pouco o movimento dos bastidores, elevadores subindo e descendo e imaginar como tudo é pensado e realizado.
O público ali presente é um detalhe a parte: todos sentados, sem aplaudir, sem cantar e sem esboçar reação! A frieza dos franceses impera e somente a galera da área VIP parece se divertir, afinal estão li justamente para isso.
Madonna com certeza irá se surpreender com os shows aqui no Brasil, pois temos certeza que o público será muito mais animado do que em qualquer outra cidade. A ansiedade pelas datas aqui só aumentam...
Mês que vem o MadonnaOnline confere o show da "Sticky & Sweet Tour" em Las Vegas e trará mais um pouco da visão do show, dessa vez com um público americano. E dessa vez a apresentação será numa arena, com bem menos pessoas do que num estádio colossal.
Confira agora nossas fotos exclusivas do primeiro show de Paris: